Nas últimas horas, as autoridades iranianas anunciaram a prisão de 200 líderes ligados aos protestos que varrem o país, enquanto organizações independentes dizem que o número real de detidos é bem maior.
Hospitais estariam sobrecarregados e grupos de direitos humanos relatam dezenas de mortos, em um cenário agravado por um bloqueio generalizado da internet que dificulta checagens independentes.
Os dados e declarações a seguir foram reunidos a partir das informações divulgadas nas fontes recebidas.
Prisões e balanço de vítimas
A HRANA, Human Rights Activists News Agency, estima que mais de 2.300 pessoas tenham sido presas desde o início das manifestações. Segundo a entidade, há ao menos 65 mortos, entre eles 50 manifestantes, sendo sete menores de 18 anos, 14 integrantes das forças de segurança e um civil ligado ao governo.
O governo, por sua vez, afirma ter detido 200 líderes dos protestos, em uma ação que marca o endurecimento do regime diante da maior onda de manifestações em mais de três anos.
Bloqueio da internet e verificação das informações
A organização NetBlocks reportou que o Irã enfrenta um bloqueio da internet há mais de 48 horas, o que torna difícil confirmar independentemente prisões, mortes e cenas de confronto. Fontes locais relatam que hospitais estão sobrecarregados, informação que não pôde ser checada de forma ampla por causa do corte nas comunicações.
Reações internas e declarações de autoridades
O tom do regime se intensificou, com o líder supremo Ali Khamenei dizendo que a República Islâmica “chegou ao poder através do sangue de centenas de milhares de pessoas honradas”, afirmando que não recuará diante dos protestos. Internamente, figuras da oposição também têm se manifestado, como Reza Pahlavi, que classificou os protestos como “magníficos” e disse que o movimento entrou em nova fase, afirmando que “Nosso objetivo não é mais apenas ir às ruas. É nos prepararmos para tomar e manter o controle dos centros urbanos”.
Pressão internacional e aumento da tensão
A reação global foi rápida. A ONU declarou estar “consternada” com as mortes, com o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, ressaltando que “em qualquer lugar do mundo, as pessoas têm o direito de se manifestar pacificamente, e os governos têm a responsabilidade de proteger esse direito”.
Na esfera diplomática, líderes europeus disseram que as autoridades iranianas têm a responsabilidade de proteger sua população e garantir liberdade de expressão e reunião pacífica sem medo de represálias. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta direto, afirmando “É melhor não começarem a atirar, porque nós também vamos começar a atirar”, declaração que elevou ainda mais a tensão internacional.
Em meio a prisões em massa, relato de mortes e corte da internet, os protestos no Irã seguem como um dos eventos políticos mais acompanhados do momento, com impacto direto nas relações externas e preocupação crescente sobre a proteção de direitos humanos no país.
