MPF exige pronúncia correta de “recorde” da Globo e pede indenização milionária
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um processo contra a Rede Globo de Televisão, exigindo que a emissora corrija a pronúncia da palavra “recorde”. A ação pede que os profissionais da emissora passem a pronunciar o termo como paroxítona, com a força na sílaba “cor” (recórde), e não como proparoxítona (récorde).
A iniciativa do MPF surgiu após uma reclamação de um cidadão, que apontou o uso sistemático da pronúncia considerada incorreta pela norma culta pela emissora. A pronúncia “récorde” é amplamente utilizada no dia a dia e na mídia, mas o órgão público defende a forma “recórde”.
O caso ganhou destaque e pode resultar em uma indenização por danos morais coletivos. A discussão, que pode parecer simples, envolve a padronização da língua portuguesa e a interpretação de referências oficiais. Entenda os detalhes dessa disputa e o que dizem os especialistas.
A norma culta e o Vocabulário da ABL
A ação do MPF se baseia em referências sólidas da língua portuguesa. Um dos principais argumentos é o VOLP, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, mantido pela Academia Brasileira de Letras (ABL). Este vocabulário é a referência oficial para a grafia e pronúncia das palavras no Brasil.
Segundo o VOLP, a pronúncia correta de “recorde” é como paroxítona, ou seja, com a sílaba tônica em “cor”. Isso significa que a pronúncia esperada é “recórde”, e não “récorde”. A ABL, por meio do VOLP, estabelece o padrão a ser seguido.
Dicionários renomados corroboram a pronúncia correta
Além da referência da ABL, o MPF cita outros dicionários de grande prestígio na língua portuguesa. O portal da Ação Civil Pública menciona que vocabulários como o Aurélio, o Houaiss e o Michaelis também apoiam a pronúncia de “recorde” como paroxítona, reforçando o entendimento de que “recórde” é a forma dicionarizada e mais adequada.
Esses dicionários são ferramentas essenciais para consulta e aprendizado da língua, e o fato de concordarem com a pronúncia paroxítona fortalece o argumento do MPF de que a emissora estaria se desviando da norma culta.
O que diz a Globo e os próximos passos da ação
Até o momento, a Rede Globo não se pronunciou oficialmente sobre a ação civil pública movida pelo MPF. A emissora, que é acusada de usar a pronúncia “récorde” de forma sistemática, terá a oportunidade de apresentar sua defesa no processo judicial.
O MPF busca não apenas a correção da pronúncia, mas também uma indenização por danos morais coletivos, argumentando que o uso constante da pronúncia incorreta pela mídia pode influenciar negativamente a forma como a população se expressa. O desfecho dessa ação poderá ter implicações significativas para a comunicação na televisão brasileira e para o ensino da língua portuguesa.