Rivellino critica carência de craques no Brasil e sugere estrangeiros para a posição 10
O eterno camisa 10 da Seleção Brasileira, Roberto Rivellino, um dos maiores ídolos do futebol nacional, expressou sua preocupação com a atual escassez de meio-campistas clássicos no Brasil. Em uma entrevista exclusiva à ESPN, o campeão mundial de 1970 comentou sobre a falta de jogadores com as características que marcaram sua própria carreira.
Rivellino foi enfático ao afirmar que, se pudesse escolher jogadores com o perfil de um autêntico ‘camisa 10’ para a Copa do Mundo de 2026, ele buscaria fora do país. Dois nomes foram citados com admiração, mas infelizmente, nenhum deles é brasileiro, evidenciando a carência apontada pelo craque.
“Hoje nós temos uma carência. Se Garro ou Arrascaeta fossem brasileiros, poderíamos estar bem servidos nesse setor. O Arrascaeta é um jogador pensante, tem um toque de bola diferente”, declarou Rivellino, destacando as qualidades que faltam no futebol brasileiro atual.
O dilema do ‘camisa 10’ e a polivalência moderna
Na visão do ex-jogador, Lucas Paquetá, atualmente no West Ham e convocado para a Seleção Brasileira, não preenche a lacuna deixada por Neymar quando este não está disponível. Rivellino questiona a posição exata de Paquetá em campo e sua efetividade.
“Infelizmente hoje temos o Paquetá e eu não sei do que ele joga, se joga de ponta, no meio… No fim, ele acaba não jogando nada!”, pontuou o ídolo, que criticou a mudança de conceitos no futebol moderno.
Rivellino lamentou que os treinadores atuais priorizem a polivalência em detrimento da especialização e da genialidade individual. “Hoje os conceitos mudaram, porque hoje o jogador tem que ser polivalente”, completou.
Zagallo e a individualidade que fazia a diferença
O craque relembrou sua própria trajetória, onde, mesmo com a orientação de Zagallo para atuar como ‘ponta falso’, sua essência era a de um meia definido. Ele ressalta que, embora o coletivo seja fundamental, a individualidade sempre foi um diferencial no futebol brasileiro.
“O Zagallo me colocou como um ponta falso, mas era um meia muito definido. Hoje fala muito no coletivo. Eu gosto do coletivo, o coletivo está em primeiro lugar, mas você tem que ter a diferença. A individualidade de cada jogador pode fazer a diferença em campo, e foi isso que nós sempre tivemos no futebol brasileiro”, argumentou.
Arrascaeta e Garro: os ‘camisas 10’ admirados por Rivellino
No Flamengo, Giorgian de Arrascaeta herdou a icônica camisa 10 após a saída de Gabigol, número que já ostentava em sua seleção uruguaia. Sua qualidade técnica e visão de jogo são amplamente reconhecidas.
Rodrigo Garro, por sua vez, vestiu a camisa 10 do Corinthians em 2024, após a saída de Matías Rojas. Embora tenha cedido o número a Memphis Depay temporariamente, seu talento tem sido notado. Garro, no entanto, ainda não defendeu a seleção principal de seu país, a Argentina.
A análise de Rivellino levanta um debate importante sobre a evolução tática do futebol e a preservação de talentos que possam encantar e decidir jogos com a magia de um verdadeiro ‘camisa 10’. A busca por esses craques, segundo ele, pode precisar olhar além das fronteiras brasileiras no momento atual.
