STF mantém prisão preventiva de Bolsonaro: qual o cenário do ex-presidente após decisão unânime e quais os próximos passos?

STF confirma prisão preventiva de Bolsonaro e abre caminho para cumprimento de pena

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu unanimemente pela manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro. A decisão ocorre após o ex-presidente descumprir medidas impostas pelo tribunal, incluindo a tentativa de danificar a tornozeleira eletrônica. Agora, o foco se volta para os próximos passos decisivos na condução do ex-presidente a uma penitenciária.

A prisão preventiva, embora sem prazo definido, tem sua necessidade reavaliada a cada 90 dias. Até lá, Bolsonaro permanece detido em uma sala especial na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, equipada com comodidades como cama, banheiro, sofá, mesa e televisão.

A custódia preventiva está atrelada a um inquérito distinto que investiga coação e interferência no processo sobre a tentativa de golpe de Estado. Paralelamente, a condenação pela trama golpista, já definida pela Primeira Turma, ainda aguarda o trânsito em julgado.

O processo principal está próximo de sua conclusão. Os primeiros embargos apresentados pela defesa foram rejeitados. Os advogados ainda possuem um prazo para protocolar novos embargos de declaração e podem recorrer via embargos infringentes, recurso que exige, contudo, ao menos dois votos vencidos, o que não ocorreu no julgamento.

Cenário jurídico e próximos passos para Bolsonaro

Com o fim das possibilidades de contestação, a sentença se tornará definitiva, e terá início o cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses de reclusão. A definição do local de cumprimento da pena caberá ao ministro Alexandre de Moraes, podendo variar entre a permanência na PF, a transferência para a Papuda, uma unidade militar ou mesmo prisão domiciliar.

Os quatro ministros da Primeira Turma seguiram o relator, Alexandre de Moraes, que apontou um “desrespeito evidente” às medidas impostas a Bolsonaro. Fatos como a tentativa de romper a tornozeleira e a convocação de apoiadores por Flávio Bolsonaro, interpretada como potencial preparação para fuga, foram considerados.

Defesa de Bolsonaro alega efeito de medicamentos

A defesa de Jair Bolsonaro argumenta que o ex-presidente agiu sob efeito de medicamentos e teria se confundido, acreditando haver um dispositivo de escuta na tornozeleira eletrônica. Esse argumento, já apresentado na audiência de custódia, não foi acolhido pelos ministros.

Repercussão da decisão e reações

A decisão unânime da Primeira Turma do STF gerou diversas reações. Aliados de Bolsonaro classificaram a ação como injustiça e abuso, enquanto Eduardo Bolsonaro acusou o ministro Alexandre de Moraes de perseguição ao pai. Imagens de Bolsonaro na PF após visita de Michelle também foram divulgadas, assim como detalhes da sala onde ele ficará detido.

Leia mais

PUBLICIDADE