Empresas com trabalho presencial relatam maior dificuldade em preencher vagas, segundo estudo do Great Place To Work.
Empresas no Brasil que insistem no modelo de trabalho exclusivamente presencial estão encontrando mais obstáculos para preencher suas vagas em aberto quando comparadas àquelas que já adotam formatos híbridos ou totalmente remotos.
Essa é uma das principais conclusões da 8ª edição do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas do GPTW (Great Place To Work), uma consultoria global renomada por certificar ambientes de trabalho.
A pesquisa, que ouviu 1.577 profissionais na América Latina, com 70% deles em cargos de liderança, revela um cenário desafiador para as organizações que mantêm a obrigatoriedade do comparecimento físico diário.
Modelos de Trabalho e a Realidade Brasileira
No cenário brasileiro, o modelo presencial ainda é o mais predominante, presente em 51% das empresas. Contudo, ele é seguido de perto pelo modelo híbrido, adotado por 41% das companhias, indicando uma mudança gradual nas preferências corporativas.
Tatiane Tiemi, CEO do GPTW Brasil, observa que, apesar da consolidação do trabalho presencial no país em comparação com outras nações latino-americanas, muitas empresas passaram por ciclos de experimentação.
Essas experiências, intensificadas durante e após a pandemia, permitiram que as organizações definissem com mais clareza o formato de trabalho que melhor se alinha à sua cultura e ao seu modelo de negócio.
O Impacto da Rigidez no Engajamento e na Qualificação
A pesquisa aponta que a rigidez em relação ao modelo de trabalho pode comprometer outros pilares estratégicos das empresas. O engajamento e o comprometimento das pessoas surgem como a terceira maior prioridade no Brasil.
Este dado é significativo, pois sinaliza que o profissional brasileiro demonstra, segundo o estudo, um menor nível de comprometimento quando comparado aos seus pares em países vizinhos da América Latina, onde o tema ocupa apenas a nona posição no ranking de prioridades.
Além disso, a qualificação profissional se tornou uma prioridade para 21,9% das organizações pesquisadas no Brasil, um aumento expressivo em relação aos 12% registrados no relatório do ano anterior. A dificuldade em preencher vagas, especialmente em modelos presencialistas, pode agravar essa questão.
Vantagem Competitiva dos Modelos Flexíveis
Empresas que oferecem flexibilidade, seja através de modelos híbridos ou remotos, parecem estar em uma posição mais vantajosa para atrair e reter talentos.
A capacidade de adaptação às novas expectativas do mercado de trabalho, onde a flexibilidade se tornou um diferencial competitivo importante, é crucial para o sucesso na contratação.
A pesquisa do GPTW reforça a ideia de que a adoção de modelos de trabalho mais flexíveis não é apenas uma tendência, mas uma necessidade para empresas que buscam se manter competitivas no mercado atual e garantir o engajamento de seus colaboradores.
