Abelhas Africanizadas: O Que Você Precisa Saber Para Evitar Tragédias
Um trágico incidente em Botucatu (SP) chocou a população após a morte de Márcia Maria Bertani Favarin, de 76 anos, atacada por um enxame de abelhas africanizadas dentro de sua própria residência. O caso, que também deixou o marido e o filho da vítima feridos, levanta importantes questões sobre o comportamento dessa espécie e como a população deve agir em situações de risco.
Segundo Rui Seabra, coordenador do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp de Botucatu, as abelhas africanizadas, apesar de popularmente conhecidas como “abelhas assassinas”, agem de forma defensiva. Elas não atacam instintivamente, mas reagem agressivamente quando se sentem ameaçadas, perseguindo a ameaça por longas distâncias e em grande número.
A quantidade de veneno inoculado por centenas ou milhares de picadas simultâneas pode ser fatal, mesmo para pessoas não alérgicas. A Vigilância Ambiental em Saúde confirmou a presença de um grande número de abelhas africanizadas no imóvel onde ocorreu o ataque. As informações foram divulgadas pelo g1.
O Comportamento Agressivo das Abelhas Africanizadas
As abelhas que atacaram e causaram a morte da idosa em Botucatu são da espécie Apis mellifera, popularmente conhecida como abelha africanizada. Diferentemente de outras abelhas que picam poucas vezes, as africanizadas são conhecidas por sua agressividade defensiva. Elas tendem a perseguir a fonte de ameaça por longas distâncias, atacando em massa.
O veneno injetado, a apitoxina, possui toxicidade semelhante à de outras abelhas melíferas. No entanto, o perigo reside na quantidade massiva de veneno administrada em um único ataque, devido ao grande número de picadas. Isso pode levar a um envenenamento grave e, em casos extremos, à morte, mesmo em indivíduos sem histórico de alergias.
Medidas de Segurança e Prevenção Contra Ataques de Abelhas
O professor Rui Seabra enfatiza a importância de cuidados para evitar acidentes, especialmente em áreas urbanas, onde colmeias podem se estabelecer em telhados, muros ou até mesmo no solo. A principal orientação é nunca tentar remover uma colmeia por conta própria.
Ao identificar a presença de um enxame, a recomendação é afastar-se imediatamente, sem provocar os insetos. Em seguida, é crucial acionar os órgãos competentes, como a Vigilância Sanitária, o Corpo de Bombeiros ou um apicultor profissional, para que a remoção seja feita com segurança. Caso o enxame esteja apenas de passagem, a orientação é deitar no chão e aguardar a sua dispersão.
Avanços no Tratamento Contra Picadas de Abelhas
O Cevap da Unesp de Botucatu tem desenvolvido, há mais de 20 anos, um soro específico contra picadas de abelhas. Este tratamento inovador, ainda não disponível no Brasil, é fruto de uma parceria com o Instituto Butantan e o Instituto Vital Brazil.
A pesquisa já concluiu os ensaios clínicos de fase 2 e, com o apoio do Ministério da Saúde, avançou para a fase 3, a etapa final antes da possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A expectativa é que, com a aprovação da Anvisa, o Instituto Vital Brazil possa produzir e distribuir o soro para todo o país, oferecendo uma nova esperança no tratamento de acidentes com abelhas.
O Caso em Botucatu
O incidente ocorreu na segunda-feira (23), quando Márcia Maria Bertani Favarin, seu marido de 70 anos e o filho de 38 foram atacados dentro de casa. Um vizinho relatou ter ouvido gritos e tentado ajudar. As equipes de emergência encontraram Márcia já sem vida. O marido e o filho foram socorridos e encaminhados ao Hospital das Clínicas de Botucatu, onde receberam atendimento e tiveram alta na terça-feira (24). O caso foi registrado como morte acidental.
