Há três anos, apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, em um episódio que marcou a jovem história democrática recente do país.
Desde então, o caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal, com investigações, acordos e sentenças que transformaram o balanço dos responsáveis pelos atos de vandalismo.
Os números oficiais sobre absolvições, acordos e processos em análise foram divulgados pelas autoridades, conforme informação divulgada pelo g1.
Como os atos começaram
Durante a campanha de 2022, grupos de apoiadores de Bolsonaro montaram acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, pedindo intervenção das Forças Armadas para manter o então presidente no poder.
Após a derrota nas urnas, parte desses manifestantes passou a questionar o resultado, e, em 8 de janeiro de 2023, avançou sobre a Praça dos Três Poderes. Imagens de pessoas vestidas de verde e amarelo depredando prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário ganharam repercussão nacional e internacional.
Estragos e perdas no patrimônio público
No prédio do STF, vários andares foram destruídos e o plenário foi devastado, com vidros quebrados, estátuas derrubadas e móveis destruídos.
No Congresso Nacional, além de danos estruturais, obras de arte foram vandalizadas ou furtadas. Entre as peças atingidas, As Mulatas, de Di Cavalcanti, considerada a principal peça do Salão Nobre, avaliada em cerca de R$ 8 milhões, sofreu danos, e outras obras foram levadas ou danificadas.
Processo no STF e números divulgados
O Supremo ficou responsável por responsabilizar os envolvidos, com desdobramentos que incluíram prisões, acordos e processos em curso.
Segundo os dados divulgados, 14 foram absolvidas;564 firmaram acordos de não persecução penal;346 processos seguem em análise, informações que mostram a complexidade e a amplitude das apurações no âmbito da Corte.
Condenações de autoridades citadas nos desdobramentos
Entre as figuras públicas relacionadas às falhas de segurança e à organização das manifestações, houve condenações significativas. Anderson Torres foi condenado definitivamente a 24 anos de prisão em regime fechado, conforme apontado nas apurações sobre omissão e ações que facilitaram os ataques.
O Supremo também entendeu que Jair Bolsonaro teve responsabilidade indireta e ativa na tentativa de golpe, citando incitação prévia contra o sistema eleitoral e documentos encontrados entre auxiliares. Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, decisão que integra o conjunto de sentenças ligadas aos eventos daquele dia.
Três anos após o episódio, o país acompanha recursos, análises e execução de penas, enquanto o debate sobre segurança, responsabilidade política e proteção do patrimônio público permanece aberto.