O mercado de títulos da dívida venezuelana vive novo momento de otimismo após a captura de Nicolás Maduro por ações dos Estados Unidos, com fundos e gestores ampliando posições em papéis que já valem centavos de dólar.
Os investidores buscam lucrar com uma possível mudança de regime e com a reestruturação da dívida, que, se ocorrer de forma coordenada, pode reabrir portas a financiamento e capital externo para a Venezuela.
Os dados e declarações que sustentam essa leitura foram relatados e compilados pela Bloomberg, conforme informação divulgada pela Bloomberg.
Por que os preços subiram
Nos últimos meses, os títulos da dívida venezuelana considerados inadimplentes, do governo e da PDVSA, mais que dobraram, chegando a valer entre US$ 0,23 e US$ 0,33, segundo relatório da Bloomberg.
Investidores que apostavam na queda do regime viram nas ações americanas e na pressão diplomática um gatilho para compras, com volumes ainda baixos e mercado dominado por fundos especializados, o que amplifica oscilações de preço.
O JPMorgan reinseriu esses papéis em seus índices após a reversão de sanções ao mercado secundário em 2023, aumentando a visibilidade e o interesse de investidores globais.
Expectativa de reestruturação e estimativas de recuperação
Parte do mercado calcula que, em cenário de transição e apoio externo, os chamados preços de recuperação podem subir para algo em torno de US$ 0,50 a US$ 0,60 por dólar de face dos títulos, o que representaria ganhos substanciais sobre os preços atuais.
O total em títulos, empréstimos e sentenças judiciais relacionados à Venezuela soma cerca de US$ 154 bilhões, portanto qualquer processo de reestruturação será complexo e envolverá credores de Wall Street a governos estrangeiros, citou a Bloomberg.
Como alertou Alberto Rojas, estrategista-sênior de mercados emergentes do UBS, “A Venezuela continua a enfrentar graves restrições de liquidez, e qualquer eventual processo de reestruturação provavelmente será longo e complexo”.
O papel dos EUA e as condicionantes políticas
Decisões dos Estados Unidos serão determinantes para o destino dos títulos da dívida venezuelana, e a administração americana já sinalizou que pode administrar temporariamente o país até permitir uma transição, com foco na recuperação da infraestrutura petrolífera.
Robert Koenigsberger, da Gramercy Funds Management, avaliou que “O objetivo imediato era a remoção de Maduro, Objetivo alcançado”, acrescentando que o caminho adiante dependerá do tipo de mudança de regime e do papel dos EUA na transição.
Ray Zucaro, diretor de investimentos da RVX Asset Management LLC, disse que “Se os EUA realmente acabarem no comando, trabalhando com a atual administração e maximizando a produção de petróleo, isso poderá ser uma grande vantagem para a Venezuela, inclusive em relação à sua dívida”.
Riscos, prazo e fatores que podem travar ganhos
Apesar do otimismo, analistas lembram que o país entrou em default em 2017, e que existem barreiras legais, políticas e financeiras, além de credores diversos, incluindo a Rússia, que complicam qualquer reestruturação rápida.
Francesco Marani, da Auriga Global Investors, destacou que a reestruturação se torna mais provável com envolvimento dos EUA e investimentos robustos na indústria petrolífera, mas que o desafio será definir prazos e acordos que satisfaçam credores e garantam retorno de capital.
Em resumo, os investidores em títulos da dívida venezuelana veem potencial de valorização maior, com estimativas de recuperação entre US$ 0,50 e US$ 0,60, e apostas que envolvem cerca de US$ 60 bilhões em títulos, mas enfrentam riscos políticos e jurídicos consideráveis antes de qualquer solução definitiva.