Brasileiro na Ucrânia pediu ajuda à Embaixada antes de morrer, diz companheira, família acusa omissão do Itamaraty e busca respostas sobre Gustavo

Um homem identificado como Gustavo, que teria atuado como voluntário na Ucrânia, pediu ajuda por email à Embaixada do Brasil antes de morrer, segundo relatos da companheira, Rafaela.

Ela diz que o brasileiro passou por treinamento, se arrependeu de ter ido e, ainda assim, foi enviado para uma missão que se estendeu muito além do previsto.

Os detalhes do caso e a versão da família foram relatados a veículos de imprensa, conforme informação divulgada pelo UOL.

Pedido formal à Embaixada e situação pessoal

Rafaela contou que Gustavo enviou ao órgão um email no dia 27 de julho pedindo ajuda para voltar, e que, durante os primeiros dias no país, ele percebeu que a estrutura prometida não existia.

Segundo ela, “Vim ao país como voluntário, mas neste momento me encontro sem recursos financeiros, sem abrigo e sem condições de permanecer aqui”.

A companheira relatou que ele ficou seis dias na Ucrânia e se arrependeu, mas acabou passando por um treinamento de vinte dias e seguiu no país mesmo se sentindo enganado.

Rafaela explicou a cronologia, e descreveu que, “Depois dos vinte dias de treinamento ele foi enviado para uma missão que era de 15 dias. Desses 15 dias se passaram cinco meses. Dois meses fiquei sem notícias dele.”

Contatos com o Ministério das Relações Exteriores

O Ministério das Relações Exteriores não confirmou se houve ou não pedido de ajuda por parte do brasileiro, e também não confirma o óbito de Gustavo, mas informou que presta apoio à família e permanece em contato com as autoridades locais.

Rafaela, por sua vez, afirma que buscou socorro de várias formas, e relatou, “Pedi ajuda. Enviei email para todo mundo. Mas eles dizem que não tem registro do óbito. A gente tem um filho, nossa história tem cinco anos. Não tem um corpo para enterrar e velar, é falta de consideração que as pessoas têm.”

A companheira ainda disse que ouviu da representação brasileira que não há documentos que comprovem a morte ou mesmo o desaparecimento, e que, em resposta, receberam mensagens de incerteza sobre o caso.

Alerta do Itamaraty e recomendações

O Itamaraty informou que publicou um alerta recente sobre a participação de brasileiros em conflitos armados em outros países, e pediu que brasileiros recusem propostas para voluntariado nas forças armadas estrangeiras.

Em nota citada por veículos, o ministério ressaltou que mantém contato com as autoridades locais e com a família, mesmo sem confirmar oficialmente o óbito.

Repercussão e memória de Gustavo

Rafaela relatou que, após a repercussão, tem recebido comentários cruéis nas redes sociais, com questionamentos sobre as motivações que levaram Gustavo a ir para a Ucrânia.

Ela conta que ele disse a ela ter buscado “um propósito”, e cita as palavras dele, “Tenho um sentido para a vida, vim querendo me encontrar e acabei achando um sentido para minha vida, aqui eu tenho um propósito”.

O casal tem um filho de três anos, e a família agora busca respostas sobre as circunstâncias da viagem, o suposto pedido de ajuda e a ausência de confirmação formal do óbito por parte das autoridades brasileiras.

Rafaela também recordou que Gustavo já havia servido no Exército Brasileiro em 2018, e que havia sido aprovado para ser oficial, mas não pôde seguir o caminho por conta de mudanças na família, motivo que o vinculava ao sonho militar.

O caso segue sob acompanhamento, com a família exigindo esclarecimentos e o Ministério das Relações Exteriores mantendo diálogo com as autoridades locais, conforme informação divulgada pelo UOL.

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