Oportunidade na Venezuela coloca empresas petrolíferas em posição central, com governo Trump sinalizando administração de recursos e consultas a companhias sobre exploração de reservas
A possibilidade de exploração do petróleo venezuelano reacende laços entre o setor privado e o governo dos Estados Unidos.
O American Petroleum Institute e grandes empresas do setor aparecem como atores dispostos a acompanhar, investir e pressionar por acesso às reservas.
As negociações e consultas já vinham ocorrendo nas últimas semanas, conforme informações do The American Petroleum Institute e do site Politico.
Quem está por trás da aproximação
O American Petroleum Institute afirmou acompanhar ‘de perto os acontecimentos, inclusive as potenciais implicações para o mercado global de energia’, depois do pronunciamento de Donald Trump sobre administrar a Venezuela e seus recursos ‘de forma segura, sólida e eficaz’.
Historicamente, a indústria do petróleo tem forte ligação com o Partido Republicano. Na campanha de 2024, o instituto contribuiu com cerca de US$ 4 milhões (R$ 21,7 milhões) para grupos conservadores e apoiadores de Trump, segundo dados mencionados nas fontes.
Pressão política, doações e pedidos de financiamento
Antes da eleição, o presidente pediu a executivos do setor que arrecadassem US$ 1 bilhão (R$ 5,4 bilhões) para a sua campanha. De acordo com a Yale Climate Connections, as companhias doaram, no total, US$ 220 milhões (R$ 1,2 bilhão).
Desde a década de 1990, mais de dois terços das doações de companhias petrolíferas foram para candidatos republicanos, e a partir de 2008 a indústria passou a gastar cerca de US$ 100 milhões por ano para tentar influenciar políticas do governo, conforme os dados trazidos pelas fontes.
O discurso de Trump e a visão do setor
Após a prisão e sequestro de Nicolás Maduro, Trump declarou que os Estados Unidos vão administrar a Venezuela e seus recursos ‘de forma segura, sólida e eficaz’. Ele afirmou ainda, ‘Nós construímos a indústria de petróleo da Venezuela com talento, perseverança e talento, e o regime socialista nos roubou nas últimas administrações’.
Trump também declarou que ‘É um grande negócio [para as empresas]. Há um caminho enorme para investirem e pegarem o dinheiro de volta. Você sabe que ali tem muito petróleo. As maiores reservas do mundo estão lá. É um petróleo de menor qualidade, mas o parque de refino americano se vira bem com isso. Não é por necessidade. Os Estados Unidos são autossuficientes’.
Especialistas lembram que empresas como ExxonMobil e ConocoPhillips já reivindicam compensações bilionárias por nacionalizações, e que decisões políticas podem influenciar o pagamento e a exploração futura das reservas.
Impactos econômicos e geopolíticos
A Venezuela tem reservas estimadas em 300 milhões de barris de petróleo, mas produz menos de 10% disso pela falta de investimento, tecnologia e pessoal, segundo as informações disponíveis.
O país também possui uma das dez maiores reservas de gás natural do planeta, estimadas em cerca de 200 trilhões de pés cúbicos, 90% desses volumes encontrados nos poços de petróleo, conforme as fontes citadas.
Além do interesse comercial, a reaproximação corta parte do fornecimento de petróleo para a China, já que se estima que 70% das exportações venezuelanas vão para o país asiático, o que adiciona uma dimensão geopolítica às negociações.
Analistas apontam que a combinação de lobby, doações e presença de executivos do setor em postos públicos favorece uma agenda que facilita licenças e reduz barreiras regulatórias, cenário que tem sido reivindicado pela indústria nos últimos anos.
O desfecho dessas consultas e eventuais decisões do governo podem alterar fluxos de investimento e reconfigurar interesses entre empresas petrolíferas e a administração Trump, mantendo a Oportunidade na Venezuela como tema central nas discussões de política e energia.