Mensagens revelam detalhes de reunião de dono do Banco Master com Lula e futuro presidente do Banco Central
O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, descreveu como “ótimo” um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2024, no Palácio do Planalto. A reunião ocorreu em um período anterior à divulgação pública de um escândalo envolvendo fraudes financeiras ligadas à instituição.
As conversas, registradas em mensagens trocadas com a influenciadora Martha Graeff, sua namorada, mostram Vorcaro elogiando a audiência com o presidente. Ele mencionou especificamente que Lula apresentou o “presidente do Banco Central que vai entrar”, referindo-se a Gabriel Galípolo, que na época ocupava o cargo de diretor na autoridade monetária.
Além de Galípolo, Vorcaro indicou a presença de três ministros durante o encontro. Essas informações foram obtidas pela CPI mista do INSS e constam em documentos que vieram a público. A reunião já havia sido noticiada em março do ano passado pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, e confirmada na época pela Folha de S.Paulo.
Contexto da reunião e participantes
Daniel Vorcaro esteve no Palácio do Planalto acompanhado por Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, e Augusto Lima, que era então seu sócio no Banco Master. O objetivo inicial da visita, segundo relatos, era uma conversa de Mantega com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, chefe de gabinete de Lula. Após essa reunião, Mantega teria solicitado um encontro com o próprio presidente.
Participação de Galípolo e ministros
De acordo com interlocutores, o presidente Lula teria convidado para a conversa Gabriel Galípolo, então diretor do Banco Central, além dos ministros Rui Costa, da Casa Civil, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia. Essa configuração sugere uma discussão de temas de relevância econômica e setorial.
Preocupações de Vorcaro e resposta de Lula
Durante o encontro, Daniel Vorcaro teria manifestado a Lula suas preocupações sobre a concentração do mercado bancário no Brasil. O presidente, em resposta, teria direcionado a questão para o âmbito do Banco Central, solicitando que Galípolo analisasse o assunto sob uma perspectiva técnica. Essa interação indica um diálogo sobre a estrutura do sistema financeiro nacional.