Buffet de saladas atrai 10% dos clientes do Fogo de Chão, com projeção de crescimento
Paulo Antunes, CEO da operação brasileira do Fogo de Chão, compartilhou em entrevista que a diversificação do cardápio tem sido fundamental para o sucesso da rede em um cenário desafiador. O executivo revelou que um número expressivo de clientes, **próximo a 10%**, visita as unidades da churrascaria atraído principalmente pelo seu extenso e variado buffet de saladas, uma tendência que, segundo ele, **tende a aumentar**.
Essa estratégia responde às mudanças no estilo de vida e às preocupações com a saúde que moldam o comportamento do consumidor moderno. Com a pressão do aumento do preço da carne, juros elevados e a busca por opções mais saudáveis, o Fogo de Chão tem adaptado sua oferta, indo além do tradicional rodízio.
A iniciativa de oferecer mais do que apenas cortes de carne tem se mostrado um acerto, atraindo diferentes perfis de clientes e garantindo a relevância da marca. Conforme informação divulgada pelo próprio CEO, essa movimentação estratégica visa atender a um público cada vez mais amplo e com necessidades distintas, fortalecendo a posição da rede no mercado.
Diversificação como chave para o sucesso
Antunes destacou que o Fogo de Chão mudou significativamente nos últimos dez anos. Se antes o foco era unicamente o rodízio tradicional, hoje a rede oferece **diversas opções**, incluindo o consumo apenas do buffet de saladas, rodízio de um corte específico, hambúrgueres e cortes premium. Essa flexibilidade permite que cada cliente escolha a experiência que melhor se adapta ao seu gosto e dieta.
A atração de um público vegetariano ou com dietas restritivas é um reflexo direto dessa diversificação. O CEO ressaltou que o volume de clientes que optam pelo buffet de saladas não é desprezível e a expectativa é de **crescimento**, impulsionado por pessoas que buscam uma alimentação mais focada em vegetais.
Proteína de qualidade e o impacto das “canetas emagrecedoras”
Em relação à crescente preocupação com o consumo de proteína animal e o fenômeno das “canetas emagrecedoras”, Paulo Antunes afirmou que o Fogo de Chão se beneficia ao priorizar a **seleção de proteínas de maior qualidade**. A rede garante a procedência de seus fornecedores, acompanhando todo o processo desde o pasto.
O executivo reconheceu que a tendência de comer menos, influenciada por esses novos hábitos, exige atenção. No entanto, a aposta em cortes de alta qualidade e na experiência completa, que inclui o buffet de saladas, permite que a rede atenda a esses novos comportamentos sem perder sua essência.
Expansão global e o papel estratégico do Brasil
O Fogo de Chão opera em nove países, com a maioria de suas unidades nos Estados Unidos (85) em comparação com o Brasil (9). Contudo, o CEO enfatiza o **papel estratégico do Brasil** para o grupo, pois foi onde tudo começou. A operação brasileira é responsável pela mão de obra especializada que atende às unidades americanas.
Embora os EUA liderem em número de lojas, com planos de expansão de 10 a 20 unidades anualmente, o Brasil também prevê um crescimento de 2 a 3 lojas por ano, impulsionado pelas oportunidades de mercado. As receitas e a inspiração para inovações frequentemente se originam no Brasil, que busca acelerar sua penetração no mercado nacional.
Desafios econômicos e planos futuros
Antunes abordou os desafios econômicos, como a inflação e o aumento do custo da carne, descrevendo a gestão de margens como um “contorcionismo”. A rede busca **repassar o mínimo possível** do aumento de custos para o cliente, sem comprometer a rentabilidade, através de inovações em pratos e na experiência do consumidor.
Sobre a aquisição pela Bain e o valuation de US$ 1,1 bilhão, o CEO confirmou que o valuation é baseado na geração de caixa. Quanto à possibilidade de abertura de capital em bolsa, Antunes indicou que é uma **estratégia real** para fundos de private equity, como o quarto fundo que gerencia a empresa, e que a volta a ser listada é uma possibilidade concreta.