Confusão na Câmara: Glauber Braga na Presidência termina em ação policial e tumulto

Glauber Braga protagoniza tensão na Câmara dos Deputados com ocupação da Presidência e posterior ação policial

A Câmara dos Deputados foi palco de um **intenso tumulto** nesta terça-feira (9/12) após o deputado Glauber Braga (PSOL/RJ) ocupar a cadeira da Presidência em protesto. A ação ocorreu em resposta à decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos/PB), de levar a plenário o processo que pode resultar na cassação do mandato de Braga.

O ato de protesto, que se estendeu por pouco mais de duas horas, culminou na retirada forçada do parlamentar pela Polícia Legislativa. A intervenção policial provocou um cenário de caos, com empurrões e confusão generalizada, interrompendo as transmissões oficiais da Câmara.

A imprensa foi retirada do local antes da ação policial, e a Mesa Diretora foi cercada para impedir registros visuais do momento em que o deputado era removido. Vídeos do ocorrido, gravados por outros parlamentares, rapidamente circularam pelas redes sociais, evidenciando a **gravidade da situação**.

Protesto contra cassação e alegações de autoritarismo

Glauber Braga, acompanhado por sua esposa e deputada Sâmia Bomfim (PSOL/SP), classificou a ação policial como autoritária. Ele comparou o episódio à ocupação da Mesa Diretora por apoiadores de Bolsonaro, argumentando que naquela ocasião não houve uso da força para a retirada dos manifestantes. O deputado alegou estar sofrendo perseguição política e declarou sua intenção de resistir “até o limite das forças”.

Histórico de tensão e processo por quebra de decoro

A sessão foi suspensa e fechada ao público por volta das 17h30, quando a Polícia Legislativa assumiu o controle da área. Glauber Braga é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar, motivado por acusações de agressão a um membro do MBL no ano anterior. Em abril, após o Conselho de Ética aprovar a recomendação de cassação, o deputado realizou uma greve de fome de mais de uma semana, encerrada após um acordo com Hugo Motta sobre os prazos de sua defesa.

Reação do presidente da Câmara e tramitação das cassões

Em pronunciamento após a confusão, Hugo Motta afirmou que Glauber Braga “ultrapassou todos os limites regimentais”. Ele informou que determinou a apuração de possíveis excessos cometidos pela polícia contra a imprensa e classificou o ato do deputado como um “desrespeito ao Legislativo”. Motta reafirmou que a tramitação dos processos de cassação, incluindo os de Carla Zambelli, Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e do próprio Glauber, seguirá normalmente.

Divisão na oposição e registro de ocorrência

A oposição ao governo Lula apresentou diferentes avaliações sobre o episódio. Parlamentares de partidos como Novo e PT criticaram o caos instalado na Câmara. Por outro lado, aliados de Glauber Braga admitiram que o gesto pode ter, paradoxalmente, ampliado as chances de sua cassação. A defesa do deputado registrou um boletim de ocorrência alegando ter sofrido agressões durante o tumulto.

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