Presidente da Fifa, Gianni Infantino, é acusado de violar código de ética da entidade por apoio a Donald Trump

Gianni Infantino sob escrutínio: Acusações de violação do código de ética da Fifa por apoio a Donald Trump agitam o mundo do futebol

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, encontra-se no centro de uma polêmica após ser formalmente acusado de violar o código de ética da entidade. A queixa, enviada ao Comitê de Ética da Fifa pela organização FairSquare, alega “repetidas violações” em declarações de apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A situação ganhou destaque após o inédito Prêmio da Paz da Fifa ser concedido a Trump.

A FairSquare, uma organização de advocacia sem fins lucrativos focada na defesa de trabalhadores migrantes e na repressão política no esporte, argumenta que as ações de Infantino comprometem a governança democrática das instituições esportivas e podem contribuir para danos e sofrimento. A entidade busca evitar que tais instituições sejam usadas para fins políticos.

Conforme detalhado na carta enviada ao Comitê de Ética, a acusação aponta para quatro violações específicas do artigo 15 do código, que exige neutralidade política de todos os ligados à Fifa em contatos com governos e outras organizações. As sanções para tal infração incluem multa de no mínimo 10 mil francos suíços (aproximadamente R$ 67,6 mil) e suspensão de atividades relacionadas ao futebol por até dois anos.

Primeiras acusações: Apoio a Trump e o Nobel da Paz

A primeira alegação de violação refere-se a uma mensagem de Infantino expressando apoio a Donald Trump para o Prêmio Nobel da Paz. Na ocasião, o presidente da Fifa parabenizou o republicano por sua suposta colaboração em negociações de cessar-fogo em Gaza, afirmando que Trump “definitivamente merece o prêmio Nobel da Paz por suas ações”.

A carta da FairSquare considera essa mensagem um “claro endosso pessoal à intervenção do presidente Trump em uma situação política extremamente controversa”. A organização destaca que a declaração ocorreu durante a campanha de Trump para ser laureado com o Nobel, premiação que acabou sendo concedida à opositora venezuelana María Corina Machado.

Criação do Prêmio da Paz da Fifa e o reconhecimento a Trump

O documento de acusação também levanta questionamentos sobre a criação do Prêmio da Paz da Fifa, anunciado pouco mais de um mês após a vitória de Machado no Nobel. A nova honraria da entidade de futebol foi criada com o objetivo de “premiar indivíduos que tomaram ações excepcionais e extraordinárias pela paz e ao tomá-las uniu as pessoas ao redor do mundo”.

Donald Trump foi o primeiro a receber este prêmio inédito, em cerimônia realizada durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026. Após a apresentação das ações de Trump, Infantino declarou: “Isso é o que queremos de um líder”. A FairSquare classifica este ato como a segunda violação, reiterando o apoio pessoal de Infantino à “política internacional de Trump em inúmeros países e conflitos armados em andamento”.

Declarações em Miami e o conceito de “amigo próximo”

Uma terceira infração apontada ocorreu em uma entrevista de Infantino em novembro, em Miami, onde ele descreveu Trump como um “amigo próximo”. O presidente da Fifa expressou surpresa com comentários negativos sobre o presidente americano e defendeu o respeito aos resultados eleitorais.

“Eu não sou americano, mas pelo que entendo, o presidente Trump foi eleito nos Estados Unidos da América e foi claramente eleito. Quando você está em uma grande democracia como os Estados Unidos da América, você deve antes de tudo respeitar os resultados da eleição, certo? No fim das contas, ele foi eleito com base no programa, com base no que ele disse. Ele está apenas implementando o que disse que faria, então acho que todos nós deveríamos apoiar o que ele está fazendo, porque me parece que as coisas estão indo muito bem”, afirmou Infantino.

Segundo a FairSquare, com essas declarações, Infantino tomou uma “clara posição política”, violando seu dever de neutralidade. A organização argumenta que Infantino “a) incentivou as pessoas a apoiarem a agenda política do Presidente Trump, e b) expressou sua aprovação pessoal da agenda política do Presidente Trump”. As declarações foram feitas em um evento público, onde ele representava a Fifa.

Slogan de campanha e a ameaça à integridade da Fifa

A quarta e última violação citada ocorreu em um vídeo postado em janeiro nas redes sociais de Infantino, agradecendo a Trump pelo convite para a cerimônia de inauguração de seu mandato. No final do vídeo, Infantino disse: “Juntos nós iremos fazer não apenas a América grande outra vez, mas também o mundo inteiro.”

Esta frase, que remete ao slogan de campanha de Trump “Make America great again”, é vista pela FairSquare como um “apoio à agenda política do Presidente Trump em violação ao dever de se manter neutro”. A acusação conclui que essas repetidas violações representam uma “clara ameaça à integridade e reputação do futebol e da Fifa”.

A FairSquare solicita ao Comitê de Ética da Fifa que investigue não apenas os pronunciamentos de apoio a Trump, mas também o papel de Infantino na criação do Prêmio da Paz da Fifa. Paralelamente, a ONG Human Rights Watch (HRW) também questionou a Fifa sobre os critérios e o processo de escolha para a nova premiação, mas ainda não obteve resposta.

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