Governo Lula avança em negociação histórica para exportação de carne bovina para a Coreia do Sul, após 18 anos de tratativas.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo significativo na abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira. A negociação, que se arrasta há 18 anos, atingiu seu momento mais importante, segundo o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
Embora o avanço seja notório, não há ainda uma garantia ou um prazo definido para a conclusão do acordo. O ministro, no entanto, expressou otimismo, indicando que os pecuaristas brasileiros receberão “boas notícias muito rápido”, sem criar expectativas de datas específicas.
A Coreia do Sul informou ao governo brasileiro que realizará auditorias nas plantas frigoríficas do país. O objetivo é verificar se o Brasil atende aos requisitos sanitários e de qualidade exigidos para finalizar a exportação da commodity. Conforme apurado, a expectativa do governo é positiva, considerando a posição do Brasil como principal exportador mundial de carne bovina e sua experiência em atender mercados com altas exigências regulatórias, como o da China.
Etapa crucial na abertura do mercado sul-coreano
A negociação ganhou força durante a visita oficial do presidente Lula a Seul, capital sul-coreana. A comitiva brasileira esteve no país asiático logo após a participação do presidente em uma cúpula de inteligência artificial na Índia. A expectativa dos produtores brasileiros pela abertura deste mercado aumentou consideravelmente no final do ano passado, após a China anunciar medidas de salvaguarda sobre a importação de carne bovina.
China impõe taxas e Brasil busca diversificação de mercados
A China, principal parceira comercial do Brasil no setor de carne bovina, implementará uma taxa de 55% sobre as importações que excederem 1,1 milhão de toneladas em 2026. Em 2025, o volume exportado para a China foi de 1,65 milhão de toneladas. O ministro Fávaro negou que a pressão para abrir o mercado sul-coreano esteja diretamente ligada às cotas impostas por Pequim, reafirmando o compromisso do Brasil com o multilateralismo e a manutenção de boas relações comerciais com todos os parceiros.
Outras conquistas e perspectivas para o agronegócio brasileiro
Além da carne bovina, o ministro Carlos Fávaro anunciou a conclusão da abertura do mercado de ovos para a Coreia do Sul, com a publicação do certificado prevista para os próximos dias. Houve também um anúncio sobre a ampliação dos estudos sanitários para a carne suína. Atualmente, a exportação de carne suína brasileira para a Coreia do Sul é restrita a Santa Catarina.
O país asiático concordou em analisar a possibilidade de ampliar os estudos para os estados do Rio Grande do Sul e Paraná, que possuem o status de livres de febre aftosa sem vacinação. O Brasil obteve o status sanitário para todo o território nacional no ano passado. A Coreia do Sul analisará a exportação de carne suína de todo o território nacional, com exceção dos estados que apresentam peste suína clássica.
Contraste com negociações na Índia
Os resultados positivos na Coreia do Sul contrastam com as negociações na Índia, onde o governo brasileiro não obteve sucesso na redução das tarifas sobre o frango. Apesar do mercado indiano ser aberto aos produtos brasileiros, as taxas de 30% para frango inteiro e 100% para cortes inviabilizam a competitividade, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Relatos indicam que a Índia tem resistido à redução dessas taxas, em parte, devido à falta de aceitação brasileira de produtos como a romã indiana e, no passado, de laticínios do país.