Anip Pede Imposto de 35% Contra “Invasão Asiática” de Pneus: Preços ao Consumidor Vão Subir?

Anip defende aumento de imposto de importação para 35% em pneus, citando “invasão asiática” e queda na produção nacional.

A Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) está defendendo um aumento para 35% na alíquota do imposto de importação sobre pneus. A justificativa apresentada pela entidade é a alegada “invasão” de produtos vindos da Ásia, que estariam sendo comercializados a preços inferiores aos custos de matéria-prima.

Segundo o presidente da Anip, Rodrigo Navarro, a medida não se trata de protecionismo, mas sim de um “nivelamento legítimo” alinhado a regras internacionais. Ele ressalta que a participação do pneu nacional no mercado brasileiro despencou de 73% em 2021 para apenas 28% no início deste ano.

A proposta de 35% é baseada na alíquota já adotada pelo México. Navarro afirma que o aumento não deve gerar impactos negativos nos preços ao consumidor, citando como exemplo a elevação anterior para 25%, que não resultou em alta nos valores. A Anip argumenta que a borracha nacional, cuja produção é majoritariamente consumida pelas fábricas locais, tem visto produtores migrarem para outras culturas devido à falta de demanda interna.

Queda Drástica na Produção Nacional e Migração de Culturas

A Anip aponta que a capacidade ociosa nas 11 fabricantes de pneus instaladas no Brasil é uma consequência direta da redução na demanda por produtos nacionais. A associação estima que cerca de 80% da borracha produzida no país é absorvida pelas indústrias do setor. A falta de mercado para pneus nacionais leva produtores rurais e seringueiros a buscarem outras atividades econômicas, como o cultivo de cana, milho e soja.

Importadores Alertam para Aumento de Preços ao Consumidor

Em contrapartida, os importadores de pneus expressam preocupação com o impacto do aumento tarifário nos preços finais. Ricardo Alípio, presidente da ABIDIP, estima que um pneu que atualmente custa R$ 500 possa atingir R$ 675 com a alíquota de 35%. Esse repasse ao consumidor, quando somados impostos indiretos e custos logísticos, pode superar os 20%.

Países Asiáticos Desviam Exportações para o Brasil

Rodrigo Navarro, da Anip, explicou que a mudança de rota das exportações asiáticas ocorreu quando países como Estados Unidos e México implementaram suas próprias barreiras tarifárias. Essa movimentação teria direcionado um volume maior de pneus importados para o mercado brasileiro, intensificando a concorrência para a indústria nacional. A defesa por uma alíquota de 35% é explicitamente vinculada à taxa já vigente no México.

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