Após ataque à Venezuela, Trump mira o petróleo venezuelano da Bacia do Orinoco, prometendo que empresas americanas liderem a exploração e atraiam bilhões

O ataque e a captura do ditador na Venezuela rearranjaram o foco internacional, levando o governo dos Estados Unidos a mirar diretamente o petróleo venezuelano.

O presidente Donald Trump afirmou que o petróleo venezuelano “voltará a fluir” e que companhias americanas vão liderar a exploração e a reconstrução da infraestrutura.

As implicações vão do investimento para recuperar campos até impactos nos fretes e nos seguros do transporte marítimo, com possíveis efeitos nos preços globais de petróleo, conforme informação divulgada pela reportagem de São Paulo.

Por que o petróleo venezuelano interessa aos EUA

A Venezuela detém a maior reserva do mundo, com 225 bilhões de barris na Bacia do Orinoco, ainda que sua produção atual seja reduzida. O interesse americano combina capacidade tecnológica, necessidade de suprir oferta e a ambição de participação em uma reserva estratégica.

Depois da captura de Nicolás Maduro, Trump disse que o “petróleo venezuelano voltará a fluir” e que “vamos ter nossas grandes empresas americanas de petróleo, as maiores de qualquer lugar do mundo, indo lá, gastando bilhões de dólares e arrumando a danificada infraestrutura de óleo e começando a fazer dinheiro para o país”.

Hoje, apenas a Chevron opera no país sob uma licença especial, o que ilustra o quanto o setor foi isolado nos últimos anos.

Estado atual da produção e os desafios para recuperar o petróleo venezuelano

A produção diária da Venezuela é praticamente insignificante no mercado global, com média de cerca de 700 mil barris por dia, o que equivale a aproximadamente 1% do fornecimento mundial.

Segundo Peter McNally, chefe global de analistas setoriais da Third Bridge, “Ainda há muitas perguntas que precisam ser respondidas sobre o estado da indústria de petróleo da Venezuela, mas está claro que serão necessários dezenas de bilhões de dólares para reestruturá-la”, e ele acrescenta que pode levar até uma década para que empresas ocidentais se comprometam plenamente com o país.

O setor viveu duas décadas de sucateamento, o que significa que além de capital, serão precisos investimentos técnicos e segurança jurídica para atrair grandes operadoras.

Impactos no mercado internacional e nas rotas do Brasil

Analistas avaliaram rapidamente como o choque geopolítico pode afetar os preços do petróleo. Há quem considere que o excesso de produção global projetado, de aproximadamente 3,8 milhões de barris acima da demanda em 2026, pode amortecer oscilações, e os preços do petróleo bruto haviam caído nas semanas anteriores para perto de US$ 60 por barril.

Arne Lohman Rasmussen, analista-chefe da A/S Global Risk Management, afirmou que “Avalio que os preços do petróleo Brent subirão apenas marginalmente na abertura de domingo à noite, em US$ 1 ou US$ 2 ou até menos”.

No entanto, impactos indiretos podem ser relevantes, especialmente para o transporte marítimo. Roberto Ardenghy, presidente do IBP, diz que fretes e seguros para o setor de óleo e gás tendem a subir, porque navios podem precisar desviar do litoral venezuelano e ampliar rotas pelo Atlântico, aumentando consumo de combustível e custos de frete.

O Brasil, que produz cerca de 5 milhões de barris por dia, exporta petróleo do pré-sal aos Estados Unidos, que compram cerca de 200 mil barris por dia, e esses petroleiros passam pelo Caribe, área potencialmente afetada por conflitos e insegurança.

O que esperar nas próximas semanas

A Opep+ deve se reunir neste domingo, e a expectativa do mercado é de que o grupo mantenha a programação de pausas na produção para controlar excedentes.

As ações das companhias de petróleo podem registrar ganhos se houver sinal claro de estabilização e de abertura a investidores estrangeiros, mas tudo dependerá dos próximos movimentos na Venezuela, incluindo segurança, política e decisões sobre contratos e licenças.

Em resumo, o interesse no petróleo venezuelano combina uma reserva imensa, necessidade de investimentos bilionários e riscos geopolíticos, fatores que prometem moldar a agenda energética global nos próximos anos.

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