Argentina reembolsou US$ 20 bilhões enviados pelos EUA em outubro, pagamento ocorreu dias antes da eleição legislativa e foi apresentado como sinal de estabilidade financeira
A Argentina quitou integralmente os US$ 20 bilhões recebidos por meio de um swap com os Estados Unidos em outubro, poucos dias antes da disputa legislativa que consagrou o partido de Javier Milei.
O anúncio da devolução foi feito pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que relacionou o reembolso à demonstração de solidez financeira do país aliado.
Os detalhes sobre o pacote adicional de apoio e o empréstimo subsequente também apontam para uma tentativa de fortalecer as reservas e enviar sinais ao mercado, conforme informação divulgada pela AFP.
O anúncio de Washington e as palavras de Scott Bessent
Segundo a AFP, o secretário do Tesouro dos EUA publicou na rede social X, “Tenho o prazer de anunciar que, como sinal de sua estabilidade financeira, a Argentina reembolsou rápida e integralmente [o empréstimo]”.
Bessent ainda afirmou que “Estabilizar um aliado sólido dos Estados Unidos é essencial para avançar rumo à política ‘Estados Unidos Primeiro’”, posicionamento que liga a operação a interesses geopolíticos e à relação entre os governos.
Como funcionou o apoio e o empréstimo complementar
O swap de US$ 20 bilhões foi anunciado para tentar estabilizar o peso argentino antes da eleição, conforme a AFP, e posteriormente houve esforço para trazer mais recursos privados.
Essa assistência acabou se limitando a um empréstimo de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) concedido no início de janeiro, que não envolveu bancos americanos, mas sim os bancos europeus Santander, BBVA e Deutsche Bank, operação que teve a dívida soberana argentina como garantia.
Repercussões políticas e a versão do governo argentino
Após a vitória nas eleições de outubro, o governo de Javier Milei endossou a decisão de quitar o swap, com o objetivo de demonstrar que a Argentina pode se sustentar sozinha, conforme declarou o ministro da Economia, Luis Caputo.
Para analistas, o reembolso rápido e o empréstimo curto reforçam a tentativa de fortalecer reservas e restabelecer confiança, ao mesmo tempo em que aproximam ainda mais a agenda econômica de Milei das prioridades declaradas por aliados dos EUA.