Investidores que aplicaram em CDBs e outros títulos de renda fixa do Banco Master relatam frustração com a demora para receber o ressarcimento assegurado pelo Fundo Garantidor de Créditos, e afirmam que a espera impede que reinvistam o dinheiro em outras aplicações.
A correção monetária e os rendimentos considerados para o pagamento são apenas aqueles devidos até a data da decretação da liquidação, em 18 de novembro do ano passado, o que reduz o ganho efetivo dos aplicadores.
A perda pelo não acesso imediato aos recursos é o chamado custo de oportunidade, e muitos se sentem lesados, embora a oferta do banco oferecesse rentabilidades muito acima da média do mercado, conforme informação divulgada pelo liquidante do Banco Master.
Por que a restituição demora e qual é o prejuízo
A demora em receber o dinheiro segurado pelo FGC faz com que o valor fique parado, sem poder ser aplicado, e a correção limitada até a data de liquidação acentua a perda. No caso do Banco Master, os CDBs chamavam a atenção por oferecerem rentabilidade de até 140% acima do CDI, muito superior à média do mercado, o que aumentou a atração pelo produto, e também o risco percebido.
Com os rendimentos reconhecidos apenas até 18 de novembro, os investidores deixam de obter ganhos que teriam ao reinvestir imediatamente, e o efeito acumulado sobre a carteira pode ser relevante, especialmente para quem dependia do retorno para planejar outros investimentos.
Garantia do FGC e limites práticos para os aplicadores
O Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF por instituição, mas a efetividade dessa garantia depende da definição dos aplicadores elegíveis e da documentação apresentada pelo banco em liquidação. O liquidante tem encontrado documentação confusa e complexa, com vários CNPJs diferentes ligados às operações, o que atrasa a formação da lista de beneficiários.
Na prática, mesmo aplicadores com direito à garantia enfrentam o problema do tempo, porque a devolução parcial ou tardia reduz a capacidade de recomposição da carteira, e parte das perdas pode só ser buscada, no futuro, na massa liquidada do banco.
Fraudes, risco reputacional e lições para investidores
Investigações em curso têm revelado detalhes de fraudes e uma teia de operações mal documentadas. O Banco Master já estava no radar do mercado em 2024 por conta do risco reputacional associado à sua estratégia agressiva, e a tentativa de venda ao BRB, liderada por Daniel Vorcaro, dobrou a atenção sobre o caso.
Para os investidores, a lição é clara, e o atual prejuízo funciona como alerta: ofertas que prometem ganhos muito acima da média trazem riscos maiores, e a espera pelo pagamento do FGC pode transformar um ganho aparente em perda real. Em outras palavras, quando a esmola é grande, o santo desconfia, e a experiência com o Banco Master reforça essa máxima.