Brasil ainda não sabe se carne bovina em trânsito será computada nas cotas da China, cotas da China podem reduzir cota brasileira em 350 mil toneladas

Governo brasileiro e indústria aguardam definição sobre se cargas em trânsito serão incluídas nas cotas da China para 2026, uma dúvida que pode afetar receitas e comércio

O governo do Brasil ainda não tem uma posição final sobre se a carne bovina em trânsito será considerada na contagem das cotas da China anunciadas na semana passada.

Autoridades e frigoríficos acompanham a interpretação das regras chinesas, que podem reduzir a fatia disponível ao Brasil no próximo ano.

As informações sobre a incerteza foram divulgadas por autoridades brasileiras e por representantes do setor, conforme informação divulgada pelo Ministério do Comércio do Brasil e pelo Sindifrigo-Mato Grosso.

Posição do governo e estimativa de volumes em trânsito

Herlon Brandão, chefe do departamento de estatísticas do Ministério do Comércio do Brasil, afirmou que os volumes de carne bovina brasileira em trânsito, com base nas informações disponíveis, representariam uma quantidade “pequena” em relação aos cerca de 1,5 milhão de toneladas métricas que o país exportou para a China no ano passado.

O comentário de Brandão evidencia a dificuldade do governo em avaliar o impacto imediato até que Pequim esclareça oficialmente como fará o cálculo.

Alerta do setor, citações e possível perda de cota

O setor de carne bovina do Brasil manifestou preocupação com a incerteza. O Sindifrigo-Mato Grosso afirmou que, se a interpretação chinesa permanecer sem revisão, o Brasil terá que deduzir aproximadamente 350 mil toneladas de sua cota designada para 2026.

Em comunicado, o Sindifrigo-Mato Grosso disse que “As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será calculado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos previamente assinados, cargas em trânsito ou produtos já embarcados”, o que motiva a apreensão dos exportadores.

Regra chinesa, tarifa e proteção ao mercado interno

A China impôs uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excederem os níveis de cota dos principais fornecedores, incluindo Brasil, Austrália e EUA, como parte de medida para proteger seu setor doméstico de carne bovina.

Se cargas já embarcadas ou em trânsito forem computadas contra a cota, empresas brasileiras podem ver volumes contratados penalizados com a tarifa adicional.

Dados de comércio e a nova cota para o Brasil

Em 2025, a China respondeu por cerca de metade dos volumes totais exportados pelo Brasil, que somaram um recorde de mais de 3 milhões de toneladas. Cerca de 53% das exportações de carne bovina do Brasil foram para a China em 2025, gerando uma receita de US$ 8,8 bilhões, segundo dados comerciais divulgados.

A China estabeleceu a nova cota de importação de carne bovina brasileira em 1,106 milhão de toneladas para 2026. Ela aumentará gradualmente para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão de toneladas em 2028, de acordo com o anúncio de Pequim.

O Ministério da Agricultura do Brasil não fez nenhum comentário imediato sobre as preocupações expressas pelo setor, e o mercado aguarda esclarecimentos formais das autoridades chinesas para saber se as cotas da China vão realmente contabilizar as cargas em trânsito.

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