Derrota para a França acende alerta na Seleção: Brasil precisa reencontrar o tempo e o controle de jogo
A derrota para a França por 2 a 1, mesmo jogando a maior parte do segundo tempo com um jogador a menos, aumentou o pessimismo em torno da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. A equipe, sob o comando de Ancelotti, tem priorizado a transição rápida e os ataques verticais, uma estratégia que tem mostrado limitações contra grandes seleções.
A falta de um meio-campo robusto, capaz de ditar o ritmo e controlar a posse de bola, tem sido um entrave. A estratégia de acelerar o jogo e buscar jogadas individuais, embora eficaz em alguns momentos, não tem sido suficiente para garantir o domínio das partidas.
Essa dificuldade em controlar o meio-campo não é nova e remonta a décadas, com uma divisão clara entre volantes e meias ofensivos, negligenciando os jogadores que conseguem atuar em ambas as fases do jogo, tanto na marcação quanto na construção. Conforme informação divulgada em análise recente, o futebol brasileiro, de modo geral, demonstra uma certa pressa em finalizar as jogadas, sem valorizar o controle da posse até o momento ideal para o ataque.
A estratégia de Ancelotti e a busca por equilíbrio
Ao assumir a Seleção, Ancelotti identificou uma abundância de pontas e atacantes velozes em detrimento de meio-campistas de alto nível. Ele definiu um estilo de jogo focado na **transição rápida da defesa para o ataque**, com lançamentos longos e investidas individuais. Essa abordagem, embora funcional, esbarra na necessidade de **alternar com mais domínio de bola**, trocas de passes e controle do jogo no setor de meio-campo.
A sabedoria de saber o tempo certo de **pausar e de acelerar** o jogo é crucial, mas a carência de craques nessa posição dificulta a sua plena aplicação. A dificuldade em preencher o espaço na intermediária, que deveria ser coberto por mais jogadores de meio-campo, foi evidenciada na partida contra a França, contribuindo para a perda de bolas em campo próprio, como no primeiro gol francês.
A raiz do problema: uma visão tática ultrapassada no meio-campo
A dificuldade na formação de meio-campistas completos é um problema antigo no futebol brasileiro. Décadas atrás, a divisão tática entre **volantes marcadores** e o **meia ofensivo isolado** na armação de jogadas limitou o desenvolvimento de jogadores que pudessem transitar entre a marcação e a criação, atuando em toda a zona intermediária. Essa dicotomia gerou uma escassez de atletas com a capacidade de defender, construir e avançar com a mesma eficiência.
A necessidade de laterais com maior talento para a **construção de jogadas pelos flancos** também se faz sentir. Mesmo seleções como a França, com quatro jogadores de ataque e dois volantes, demonstram uma troca de passes fluida desde a defesa, algo que o Brasil ainda busca aprimorar, especialmente sob pressão.
Desempenho individual e dilemas táticos
A atuação de jogadores como Vinícius Júnior e Raphinha foi criticada. Vinícius Júnior, embora tente um grande número de jogadas decisivas, apresenta uma proporção de acertos e erros que, na Seleção, tem inclinado mais para os erros, diferentemente de seu desempenho no Real Madrid. Essa oscilação, combinada com a pressão francesa na saída de bola, contribuiu para a perda de posse.
Bruno Guimarães, embora não seja considerado um craque, faz falta pela ausência de um substituto com suas características. Ancelotti enfrenta o dilema de posicionar jogadores como Raphinha, que no Barcelona atua mais centralizado, mas na Seleção é pressionado a retornar para auxiliar na marcação, o que limita seu potencial ofensivo.
Recuperando o tempo perdido: a união de controle e intensidade
A reflexão sobre o tempo, como sugere o filme “Fados”, de Carlos Saura, nos lembra que não é o tempo que passa, mas nós que passamos por ele. Para a Seleção Brasileira, isso significa **recuperar o tempo perdido**, associando o controle da bola e do jogo com a intensidade e a velocidade exigidas pelo futebol moderno. Não se trata de escolher um ou outro, mas de encontrar a harmonia entre essas qualidades.
O Brasil precisa urgentemente desenvolver a capacidade de **dominar a posse de bola e o ritmo do jogo**, sem perder a capacidade de acelerar e ser letal quando a oportunidade surgir. A busca por esse equilíbrio é o grande desafio para a comissão técnica e para os jogadores que almejam o sucesso na Copa do Mundo.