BRB: 8 Fundos Ligados ao Banco Master e 2 Investem em Negócios de Vorcaro, Revela Auditoria e Mapa de Fundos

BRB sob escrutínio: Oito fundos do conglomerado têm ligações com esquema do Banco Master e negócios de Vorcaro

O Banco de Brasília (BRB) está no centro de uma investigação que apura a conexão de oito de seus fundos de investimento com o esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A descoberta, detalhada em balanços do Master e em um mapa de fundos elaborado pela Folha, lança luz sobre R$ 8 bilhões em ativos e levanta sérias questões sobre a supervisão financeira.

Esses fundos, todos listados pelo Banco Central como parte do conglomerado do BRB, são analisados em conjunto para avaliar a saúde financeira do grupo e prevenir contágios no sistema bancário. A sobreposição com fundos identificados na rede do Master motivou a contratação de uma auditoria externa pelo próprio BRB.

A apuração detalhada pela Folha indica que dois desses fundos realizaram investimentos diretos em negócios ligados a Daniel Vorcaro, aprofundando as suspeitas sobre as operações financeiras realizadas. As respostas do BRB, do governador Ibaneis Rocha e do Banco Master sobre o caso ainda não foram divulgadas.

Investimentos em Negócios da Família Vorcaro e Associados

Entre os fundos do BRB que compõem o conglomerado, o fundo de investimentos imobiliários **Supreme Realty** investiu R$ 145 milhões na Mgi Desenvolvimento Imobiliário Spe. Esta empresa tem como diretora Natalia Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro e esposa de Fabiano Zettel, que foi detido na Operação Compliance Zero.

Outro fundo, o **Strelitzia**, também parte do conglomerado BRB, detém uma participação de R$ 452 milhões na A.Life Partners, empresa dona de estabelecimentos como o Nino Cucina. O fundo adquiriu R$ 210 milhões em ações da A.Life, com Daniel Vorcaro figurando como interveniente anuente na operação, formalizando o consentimento.

A transação do Strelitzia com a A.Life previa que o montante fosse investido em CDBs do Banco Master com rendimento de 100% do CDI. Parte do valor, R$ 180 milhões, foi para um fundo da XP, que aplicou em papéis do Master. Os CDBs tinham prazo de um ano e venceram um mês antes da liquidação do Banco Master.

Fundos Texas e Kyra na Mira do MPF e Operações com a Ambipar

Os fundos **Texas 1** e **Kyra**, ambos do conglomerado BRB, são citados em investigações do Ministério Público Federal (MPF) sobre a relação entre o BRB e o Banco Master. Esses fundos, juntamente com um terceiro, chegaram a deter 15% do capital social da Ambipar.

As operações com ações da Ambipar por esses fundos, que reduziram drasticamente as ações em livre negociação, são suspeitas de terem provocado uma valorização expressiva nos papéis, que saltaram de R$ 13 para R$ 97,35 em pouco mais de um mês. O Banco Voiter, antigo dono do Texas, foi comprado pelo Master e depois vendido a um ex-sócio de Vorcaro.

Tentativa de Aquisição do Master e Conexões via Will Bank

Entre março e setembro de 2025, o BRB tentou adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do Banco Master. A operação foi vetada pelo Banco Central, que identificou uma venda de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas do Master para o BRB, caso também investigado pela Polícia Federal.

Recentemente, a liquidação do Will Bank, banco digital do conglomerado Master, revelou outra ligação com o BRB. O Will Bank utilizou ações do BRB como garantia em operações com a Mastercard. Com o não pagamento, a bandeira de cartões ficou com 6,93% do capital total do BRB, avaliado em cerca de R$ 230 milhões.

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