Caiado responde a Lula sobre minerais críticos: ‘Quem vende o Brasil é ele’, afirma pré-candidato.
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência, reagiu firmemente às críticas do presidente Lula (PT) sobre acordos firmados para o desenvolvimento de minerais críticos no estado. Caiado acusou o governo federal de ser o verdadeiro responsável por “vender o Brasil” ao não investir em tecnologia e agregar valor às exportações.
Em resposta direta às declarações de Lula, que alegou que Caiado não poderia ter feito acordos sem consultar a União, o governador defendeu os memorandos de entendimento assinados com os Estados Unidos e o Japão. Segundo Caiado, essas parcerias são essenciais para impulsionar o desenvolvimento tecnológico em Goiás, sede da única mineradora de terras raras em operação no país.
A polêmica ganhou força após o presidente Lula afirmar que “essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir”. Caiado rebateu em um evento em Belo Horizonte, declarando: “Quem está vendendo é ele”, em referência ao presidente. Ele argumentou que o governo federal falha ao “entregar tudo, não está desenvolvendo nenhuma tecnologia no Brasil” e que o país continua exportando matérias-primas como “pau-brasil, nióbio, terras raras pesadas”, sem o devido processamento.
Acordos visam agregar valor e desenvolver tecnologia local
A mineradora Serra Verde, localizada em Goiás, é um ponto estratégico na discussão. Recentemente, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da companhia por US$ 2,8 bilhões (R$ 13,8 bilhões). Caiado destacou que, atualmente, a maior parte do material exportado da mineradora goiana tem como destino a China, país que concentra o refino desses elementos. Os novos acordos, com EUA e Japão, têm como objetivo mudar esse cenário, permitindo a exportação de materiais já refinados, com maior valor agregado e potencial para desenvolver a indústria brasileira.
Preocupações com compartilhamento de dados estratégicos
Um dos pontos de atrito mencionados pela Folha é o memorando de entendimento assinado com o Departamento de Estado americano. O acordo prevê o compartilhamento de dados geológicos de projetos apoiados pelos EUA com o governo americano. Essa possibilidade gera preocupação em parte do governo brasileiro, que vê um risco no compartilhamento de informações estratégicas sobre reservas de minerais críticos e potencial de exploração com uma potência estrangeira, especialmente na ausência de um marco regulatório claro no Brasil para o setor.
Caiado detalha planos para a Petrobras e dependência de fertilizantes
Durante o evento, Ronaldo Caiado também comentou sobre seus planos para a Petrobras, caso eleja-se presidente. Ele defende que a estatal deve abandonar “monopólios que atrapalham o país”, citando a concentração da companhia na distribuição de gás natural. Além disso, Caiado se mostrou favorável à exploração de petróleo na margem equatorial e expressou preocupação com a dependência do Brasil em relação a fertilizantes importados, um tema de grande relevância para o agronegócio nacional.