Caio Collet estreia na Indy 2024 com a missão de resgatar protagonismo brasileiro após era de ouro de Castroneves e Kanaan.
O Brasil volta a ter dois representantes nas duas principais categorias do automobilismo mundial: Caio Collet na Indy e Gabriel Bortoleto na Fórmula 1. Essa simultaneidade não ocorria desde 2017.
Collet, vice-campeão da Indy NXT, categoria de acesso à Indy, estreia neste domingo, 1º de março, no circuito de rua de Saint Petersburg, na Flórida. Ele assume o posto na tradicional equipe AJ Foyt Racing, que já teve outros cinco brasileiros em seu histórico, incluindo Tony Kanaan.
A expectativa é alta, especialmente após a bem-sucedida era de Hélio Castroneves e Tony Kanaan, que dominaram a categoria no início dos anos 2000 até o início da década atual. Conforme resumido pelo próprio Caio Collet à Folha, “o brasileiro não gosta de ver esporte, gosta de ver brasileiro ganhar”, evidenciando a pressão e o carinho que acompanham os pilotos nacionais.
A jornada de Caio Collet até a Indy: do kart à F1 frustrada
Aos 23 anos, Caio Collet construiu uma sólida carreira desde o kart, passando por categorias de base na Europa. Sua estreia em monopostos foi em 2017, na F4 dos Emirados Árabes Unidos, e no ano seguinte conquistou o título da F4 Francesa, com sete vitórias.
Seu desempenho chamou a atenção da Renault Sport Academy, que o integrou ao programa de jovens pilotos. Collet disputou três temporadas da Fórmula 3, sempre terminando entre os dez primeiros. O caminho para a Fórmula 1, no entanto, esbarrou nos altos custos.
“A gente tinha oportunidade de subir para a F2 em equipes de ponta, mas não tinha o orçamento necessário”, explicou. Uma temporada na F2 pode custar, no mínimo, US$ 3 milhões (R$ 15 milhões), segundo estimativas do site Race Fans.
Mudança para os EUA e o projeto Indycar
A mudança para os Estados Unidos foi motivada pela oportunidade de competir na Indy NXT e, principalmente, de alcançar a IndyCar. “A gente não mudou para os Estados Unidos só para correr a Indy NXT. Mudamos para um dia poder chegar à Indy”, afirmou Collet.
A AJ Foyt Racing, equipe onde Collet corre, é uma das mais tradicionais do automobilismo americano, fundada por A.J. Foyt, lendário tetracampeão das 500 Milhas de Indianápolis. Atualmente comandada por seu neto, Larry Foyt, a escuderia busca aliar tradição com o desenvolvimento de jovens talentos.
O legado brasileiro na IndyCar e as 500 Milhas de Indianápolis
O Brasil possui um histórico de sucesso na IndyCar, com títulos de Emerson Fittipaldi (1989), Gil de Ferran (2000 e 2001), Cristiano da Matta (2002) e Tony Kanaan (2004). Essas conquistas consolidaram o país como uma potência no automobilismo americano.
Nas 500 Milhas de Indianápolis, a prova mais icônica da categoria, o Brasil também deixou sua marca. Fittipaldi venceu em 1989 e 1993, Gil de Ferran em 2003, Tony Kanaan em 2013 e Hélio Castroneves se tornou o maior vencedor brasileiro, com quatro triunfos (2001, 2002, 2009 e 2021), integrando o seleto grupo de tetracampeões.
Expectativas e a construção de um futuro promissor
Ciente da responsabilidade, Caio Collet evita promessas imediatas de vitórias. “O automobilismo é um esporte com muita variável. Você depende não só do piloto, mas de outras coisas também”, ponderou.
O piloto busca construir um trabalho sólido para, no futuro, trazer orgulho para a nação. “Agora é construir um trabalho para que um dia isso possa ser possível”, declarou. A temporada de 2024 promete ser emocionante para os fãs brasileiros de automobilismo.
A primeira etapa da temporada 2024 da Indy, em Saint Petersburg, será transmitida pela Band, ESPN4 e Disney+ neste domingo, às 14h (de Brasília).