Carros chineses produzidos no Brasil manterão preços mais baixos, aponta estudo da Zag Work
A principal força das montadoras chinesas no mercado brasileiro não reside em subsídios diretos de seus governos. A vantagem competitiva reside, sobretudo, na economia gerada pela **integração vertical de seus fornecedores** e pelos **custos menores em pesquisa e desenvolvimento, vendas e administração**.
Essa conclusão vem de um estudo realizado pela consultoria Zag Work, que analisou a estrutura de custos de veículos elétricos. A pesquisa compara um Tesla Model 3 produzido na China por US$ 28.893 (aproximadamente R$ 150,2 mil) com um sedã elétrico de marca chinesa vendido no mesmo mercado por US$ 24.190 (R$ 125,8 mil).
A diferença de US$ 4.703 (cerca de R$ 24,5 mil) entre os dois veículos, segundo a Zag Work, é explicada em 88% pela **verticalização da produção e pelos custos operacionais mais baixos**. Os subsídios governamentais diretos, no exemplo citado, somam apenas US$ 292 (R$ 1.520), um valor que já foi maior, mas que vem diminuindo como parte de uma estratégia de mercado.
Verticalização: O segredo da competitividade chinesa
A **verticalização** é um pilar fundamental para as marcas chinesas, especialmente na produção de componentes essenciais para a eletrificação, como as baterias. Ao controlar diversas etapas da cadeia produtiva e desenvolver seu próprio parque de fornecedores, as empresas chinesas ganham escala e reduzem custos.
Em 2023, a China produziu 34,5 milhões de veículos, um volume 45% superior à soma da produção de automóveis, ônibus e caminhões nos Estados Unidos e na Europa. As fabricantes chinesas ainda possuem capacidade para montar mais 22 milhões de unidades, o que impulsiona a necessidade de exportação diante da desaceleração do mercado interno.
Vantagem competitiva ao desembarcar no Brasil
Ao se estabelecerem no Brasil, as montadoras chinesas importam componentes que outras empresas já trazem da Ásia, mas conseguem fazê-lo por um **preço menor**. Isso garante que seus veículos permaneçam mais acessíveis que os de concorrentes diretos de outros países, forçando as demais a reavaliarem suas estratégias.
“Componentes como baterias e telas não são feitos no Brasil. O conteúdo importado pelas montadoras chinesas tem uma vantagem competitiva enorme, a economia na integração vertical é um diferencial importante”, afirma Rogelio Golfarb, fundador da Zag Work e ex-vice-presidente da Ford na América do Sul.
Projeção de crescimento e preferência por SUVs
A consultoria projeta que, em 2035, as marcas chinesas combinadas alcançarão **35% de participação no mercado brasileiro**. Esse crescimento acelerado já é observado, refletindo a aceitação dos produtos.
Atualmente, 40% dos consumidores brasileiros que pretendem comprar um carro neste ano buscam por um SUV, segundo pesquisa do Webmotors Autoinsights. Não por acaso, os SUVs representam a maioria dos lançamentos de origem chinesa no país, como o Caoa Changan Uni-T 1.5 turbo flex, lançado por R$ 169.990.
A estratégia de produção e a eficiência em custos permitem que os carros chineses produzidos no Brasil continuem oferecendo um valor mais atrativo, configurando um cenário desafiador para a concorrência.