CEO da Multiplan alerta: Fim da jornada 6×1 pode reduzir salários no Brasil, impactando o varejo e o consumo

CEO da Multiplan alerta sobre impacto negativo do fim da jornada 6×1 para o Brasil, prevendo queda salarial e prejuízos ao varejo

A proposta de extinção da escala 6×1, que visa reduzir a jornada de trabalho no Brasil, tem ganhado adeptos, mas enfrenta forte resistência do setor empresarial. Eduardo Peres, CEO da Multiplan, uma das maiores administradoras de shoppings do país, expressou sua preocupação em entrevista à Folha, afirmando que a medida pode ser prejudicial para a economia nacional.

Segundo Peres, a mudança, que prevê a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais, deve aumentar os custos para os empregadores e, consequentemente, levar a uma diminuição na média salarial dos trabalhadores. Ele questiona a ideia de que trabalhar menos possa impulsionar o desenvolvimento do país.

As declarações do executivo surgem em um momento de expansão para a Multiplan, que recentemente inaugurou a sexta ampliação do MorumbiShopping, em São Paulo, com um investimento superior a R$ 400 milhões. A companhia também planeja novas expansões para 2026 em outros grandes centros comerciais do Brasil.

Críticas à redução da jornada de trabalho

Eduardo Peres argumenta que o fim da escala 6×1, defendido pelo governo Lula e em discussão no Congresso, não é uma medida benéfica para o Brasil. “É muito ruim para o varejo nacional. Aliás, é muito ruim para o país como um todo. Eu não conheço nenhum país que evoluiu trabalhando menos”, afirmou o CEO da Multiplan.

Ele prevê um cenário onde “vai ter mais gente trabalhando e fazendo menos coisas. E essas pessoas, sem dúvida, vão receber menos”. Peres defende a flexibilidade, permitindo que os próprios trabalhadores escolham a carga horária ideal: “Acho que se você flexibilizar e deixar as pessoas escolherem o quanto querem trabalhar, é muito melhor para todo mundo.”

Para o executivo, a automação não é a solução principal para o varejo físico, pois o contato humano é considerado essencial. A Multiplan, com seus 20 shoppings, tem visto um crescimento expressivo, com 12,9% das vendas totais do setor em 2025, atingindo R$ 25,9 bilhões.

Expansão e foco em serviços e gastronomia

A recente expansão do MorumbiShopping, com 13.141 metros quadrados a mais de área bruta locável e 40 novas lojas, reflete uma tendência do setor de priorizar a ampliação de ativos já existentes. O projeto incluiu um novo piso dedicado à alta gastronomia, alinhado com a estratégia da Multiplan de equilibrar o mix de lojas.

Atualmente, 50% do mix da Multiplan é voltado para a compra e venda de produtos, enquanto os outros 50% são dedicados a restaurantes e serviços. “Eu acho que agora está num ponto equilibrado”, comentou Peres sobre a composição atual dos shoppings da rede.

A companhia, que contou com a participação de fundos de pensão como Funcef e Previ no investimento do MorumbiShopping, projeta novas expansões para 2026, incluindo projetos no BarraShopping (Rio de Janeiro), BH Shopping (Belo Horizonte) e ParkShopping (Distrito Federal).

Perspectivas econômicas e queda da taxa de juros

Olhando para o futuro, Eduardo Peres está otimista quanto ao potencial de consumo em 2026, especialmente com a expectativa de queda na taxa de juros. “Historicamente, eleição é um ano em que se gasta mais, é um ano com mais dinheiro em circulação, portanto mais consumo”, declarou.

Ele acredita que a redução da taxa Selic, que recentemente sofreu um corte de 0,25 ponto e agora está em 14,75% ao ano, irá melhorar as condições para o varejo como um todo. A Multiplan afirma estar atenta aos movimentos do mercado, mas considera improvável uma aquisição de shopping no momento.

A empresa ressalta que, após a pandemia, conseguiu operar de forma mais eficiente, recebendo mais de 100 milhões de visitas anuais em sua rede. A estratégia de focar em serviços e gastronomia tem se mostrado um caminho de sucesso para a gigante dos shoppings.

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