A contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026 atingiu a marca de 100 dias nesta terça-feira (3), mas longe do clima de festa habitual, o evento, que promete ser o maior da história com 48 seleções e 104 jogos espalhados por 16 cidades nos Estados Unidos, Canadá e México, está envolto em tensões globais e instabilidade interna nos países anfitriões.
O que deveria ser um marco esportivo de união e celebração está sendo ofuscado por crises políticas e conflitos internacionais. A expectativa em torno dos favoritos, craques e despedidas de lendas como Messi e Cristiano Ronaldo tem sido abafada pelas notícias de bastidores, que impactam diretamente a realização da competição.
A complexidade logística de sediar um mundial em três países já seria um desafio, mas a combinação de políticas protecionistas nos EUA, a instabilidade no Oriente Médio e a violência no México adicionam camadas de preocupação. A Fifa, por sua vez, busca manter a calma e a confiança nas autoridades locais, mas a situação exige atenção redobrada.
As preocupações não são novas. No passado recente, as relações entre Estados Unidos e seus vizinhos coanfitriões, Canadá e México, foram tensionadas por tarifas comerciais impostas pelo ex-presidente Donald Trump. Embora a Suprema Corte dos EUA tenha declarado essas tarifas ilegais recentemente, o clima de desconfiança persistiu.
Imigração e Tensões Geopolíticas Aumentam o Calor
A política de imigração restritiva de Trump também gerou controvérsia, com o congelamento de vistos para imigrantes de 75 países, incluindo nações classificadas para o Mundial, como Haiti, Costa do Marfim, Senegal e Irã. Essa medida levantou dúvidas sobre a entrada de torcedores e delegações no país.
Um episódio ainda mais grave foi a ameaça de anexação da Groenlândia pelos EUA, que provocou tensão com a Dinamarca e a União Europeia. Houve até discussões sobre um possível boicote à Copa por parte de países europeus, embora federações como a alemã tenham se manifestado publicamente contra essa medida, ressaltando o poder unificador do esporte.
Conflito no Oriente Médio e a Situação do Irã
A notícia que abalou o mundo no último sábado (28) foi a operação militar conjunta de EUA e Israel contra o Irã, com retaliações iranianas a instalações americanas e alvos em países do Golfo. A morte do líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, após os ataques, complicou ainda mais o cenário.
O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, classificou a participação do país no Mundial como “improvável”, citando os recentes eventos. “Com o que aconteceu hoje e com o ataque dos Estados Unidos, é difícil olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas essa é uma decisão que cabe aos dirigentes do esporte”, declarou Taj.
As partidas do Irã na fase de grupos estão marcadas para ocorrer nos Estados Unidos, em cidades como Los Angeles e Seattle. Há também a possibilidade de um confronto direto com os EUA na fase eliminatória. A imprensa internacional já cogita a transferência desses jogos para o México, mas a situação de segurança no país vizinho também é um ponto de atenção.
Violência no México e a Posição da Fifa
O México, um dos coanfitriões, enfrenta uma onda de violência interna desencadeada após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera, conhecido como “El Mencho”, e os ataques subsequentes do Cartel Jalisco Nova Geração. Essa instabilidade levou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, a se manifestar.
Infantino, no entanto, rechaçou a ideia de transferir jogos da repescagem mundial, que ocorrerão no México neste mês. “Ninguém precisa mudar nada. Nós estamos em contato constante com a presidência mexicana e as autoridades. Temos plena confiança nas autoridades mexicanas, na presidente Claudia Sheinbaum e sua equipe, e as apoiamos integralmente”, afirmou o dirigente, garantindo que a situação está sendo monitorada.
Apesar dos desafios, a Copa do Mundo de 2026 segue com a programação, buscando superar as barreiras políticas e de segurança. A possibilidade de desistência de alguma seleção, como o Irã, não ocorreria desde 1950, adicionando mais um elemento de incerteza a este que se anuncia como o maior e mais complexo mundial de todos os tempos.