Transporte para jogos da Copa nos EUA pode chegar a R$ 500, gerando revolta de torcedores e críticas políticas
O sonho de assistir à Copa do Mundo nos Estados Unidos em 2026 está se tornando mais caro do que o esperado para muitos torcedores. Além dos altos preços dos ingressos, o custo do transporte para chegar aos estádios tem gerado indignação e preocupação.
Relatos indicam que os valores para se deslocar até as arenas foram multiplicados drasticamente em comparação com o preço normal, levantando questionamentos sobre a acessibilidade do evento. Turistas e moradores locais se dizem surpresos e frustrados com os aumentos.
Essa situação tem levado grupos de torcedores e até mesmo políticos a questionarem a organização e a Fifa sobre as estratégias de precificação, especialmente em um evento que deveria ser inclusivo. Acompanhe os detalhes dessa polêmica.
Preços exorbitantes em Boston e Nova York chocam torcedores
Em Boston, a autoridade de transporte local anunciou que uma viagem de ida e volta para o Estádio Gillette, em Foxborough, custará cerca de US$ 80 (aproximadamente R$ 399,37). O valor normal para o mesmo trajeto é de apenas US$ 8,75 (cerca de R$ 43,68). Para portadores de ingressos, um ônibus expresso foi anunciado por US$ 95 (cerca de R$ 474,25).
A situação se repete em Nova Jersey, onde, segundo a revista The Athletic, o transporte de ida e volta entre Manhattan e o MetLife Stadium, palco da final da Copa, pode ultrapassar os US$ 100 (aproximadamente R$ 499,22). O valor usual para este percurso é de US$ 12,90 (cerca de R$ 64,39).
Grupos de torcedores denunciam “escândalo” e “fraude”
Guillaume Auprê tre, porta-voz do Irrésistibles Français, principal grupo de torcedores da seleção francesa, classificou a situação como um “escândalo”. Ele destacou que em competições anteriores, o transporte era incluído ou oferecido a preços acessíveis para quem possuía ingressos.
Auprê tre acusou a Fifa de “adicionar custos extras sem pensar nos torcedores” e de “excluir os torcedores mais fiéis em favor dos mais ricos”. A Associação de Torcedores de Futebol (FSA) também se manifestou, denunciando a medida como uma “fraude”.
O Free Lions, agência de viagens da FSA, expressou sua decepção, afirmando que “todo dia surge uma nova fraude nesta Copa do Mundo”, apesar de terem sido informados inicialmente que os preços permaneceriam os mesmos.
Políticos criticam altos custos e pedem acessibilidade
O senador democrata Chuck Schumer, representante de Nova York, ressaltou que a Fifa deve lucrar bilhões com o evento e que, no mínimo, deveria “garantir que os moradores locais possam chegar ao estádio sem serem explorados”. A governadora de Nova York, Kathy Hochul, classificou o preço como “absurdamente alto”.
Em Nova Jersey, a governadora Mikie Sherrill alertou que o estado não pretende repassar o custo do transporte dos torcedores aos contribuintes. A autoridade de transporte de Nova Jersey, contatada pela AFP, não respondeu sobre o assunto, mas assegurou ao The Athletic que nenhuma decisão final foi tomada.
Investimentos em transporte e comparações com copas anteriores
O Departamento de Transportes dos EUA destinou US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) às cidades-sede da Copa para melhorias na infraestrutura de transporte. No entanto, o custo operacional para oito jogos no MetLife Stadium, segundo o The Athletic, pode chegar a US$ 48 milhões (aproximadamente R$ 240 milhões), devido a exigências de segurança.
Em contraste, em copas anteriores, o transporte público foi mais acessível. Na Rússia em 2018, o transporte foi gratuito para quem apresentasse ingresso e cartão de torcedor. No Qatar em 2022, o metrô também foi gratuito para os deslocamentos aos estádios.