Corinthians busca solução financeira com premiação da Copa do Brasil para reverter transfer ban
O Corinthians conquistou o título da Copa do Brasil e, com ele, uma premiação expressiva de quase R$ 98 milhões. A diretoria alvinegra tem como principal objetivo destinar essa verba para quitar as dívidas que resultaram no temido transfer ban, impedindo o clube de registrar novos jogadores no mercado.
No entanto, a situação financeira do clube é mais intrincada do que apenas o valor arrecadado com o título. Informações indicam que o Corinthians também está articulando um empréstimo de cerca de R$ 70 milhões, negociado com a Liga Forte União (LFU), para suprir necessidades urgentes de fluxo de caixa.
A necessidade de reforçar o elenco é clara, mas as sanções impostas por órgãos como a Fifa e a CBF criam um obstáculo significativo. A resolução dessas pendências financeiras é vista como crucial para que o clube possa voltar a ter liberdade para investir em novas contratações e fortalecer o time para as próximas temporadas.
Dívidas na Fifa e na CBF: Os motivos do transfer ban
Atualmente, o Corinthians enfrenta duas punições distintas que o impedem de contratar. Uma delas parte da Fifa, relacionada à dívida pela aquisição do jogador Félix Torres junto ao Santos Laguna, do México. A outra sanção vem da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF, devido a atrasos no pagamento de parcelas acordadas.
O caso com Santos Laguna e a exigência da Fifa
Na esfera da Fifa, o valor pendente com o Santos Laguna-MEX ultrapassa os R$ 40 milhões. O clube mexicano exige o pagamento integral e à vista, o que inclui o montante original de US$ 6,14 milhões, acrescido de multa de 15% e juros de 18% ao ano sobre os valores em aberto.
CNRD cobra postura e adia liberação
A CNRD da CBF, por sua vez, manifestou-se cobrando uma “mudança de postura” do Corinthians, após atrasos em pagamentos referentes a acordos feitos no órgão. O clube atrasou parcelas de julho e outubro, o que levou à manutenção da punição, mesmo com a intenção de quitar os débitos. O órgão citou que “não parece ser prudente suspender a aplicação da sanção aplicada neste momento, sem que haja um indicativo de mudança real de postura do Corinthians em relação a este plano, com o respeito devido aos seus credores”.
A próxima parcela do acordo na CNRD, no valor de aproximadamente R$ 7 milhões, vence em 17 de janeiro, com pagamentos trimestrais previstos.
Matías Rojas e outras pendências internacionais
Além da situação com o Santos Laguna, a Fifa também impõe uma punição relacionada a Matías Rojas, com uma dívida estimada em R$ 45 milhões. Essa sanção já foi ratificada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS). Há uma reunião agendada com os representantes do jogador, atualmente no Portland Timbers, para tentar negociar um parcelamento.
O Corinthians ainda enfrenta outras dívidas que podem gerar novas punições da Fifa, embora o clube esteja recorrendo à CAS para ganhar mais prazo. Entre elas estão valores devidos ao Talleres-ARG por Rodrigo Garro (mais de R$ 24 milhões), ao Shakhtar Donetsk-UCR por Maycon (R$ 7 milhões) e ao Philadelphia Union-EUA por José Martinez (R$ 8,4 milhões).
A resolução dessas múltiplas pendências financeiras é um desafio complexo para a diretoria do Corinthians, que busca equilibrar as finanças e, ao mesmo tempo, viabilizar reforços para a equipe.