Correios correm contra o tempo para levantar R$ 8 bilhões e fugir de crise antes da eleição
Os Correios iniciaram articulações intensas para captar R$ 8 bilhões extras até junho deste ano. O objetivo principal é evitar uma nova crise financeira que possa comprometer o plano de reestruturação da empresa e, principalmente, coincidir com o período eleitoral, o que poderia ser explorado politicamente.
Os recursos obtidos no final de 2025, através de um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, devem ser suficientes apenas até meados deste ano. Medidas internas, como o programa de demissão voluntária (PDV), podem estender esse prazo, mas a urgência é clara para evitar um “buraco no caixa”.
A necessidade total para o plano de reestruturação dos Correios é de R$ 20 bilhões. Este montante será destinado à regularização de dívidas, custeio de ajustes como o PDV e mudanças no plano de saúde, além de manter as demais obrigações da companhia em dia. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
Aporte da União e nova operação de crédito em pauta
A estratégia dos Correios envolve duas frentes principais: a contratação de um novo empréstimo junto a instituições financeiras ou a concretização de um aporte da União. O Ministério da Fazenda já havia sinalizado a possibilidade de injeção de recursos.
Um contrato firmado com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander prevê um aporte de R$ 6 bilhões da União até 2027. O Tesouro Nacional confirmou essa cláusula, que independe de novas captações de crédito pela empresa. Esse valor precisa ser injetado, seja de uma vez ou parcelado, até o fim do próximo ano.
O governo busca acelerar o repasse de parte desses R$ 6 bilhões ainda em 2026, utilizando o risco eleitoral como argumento. A intenção é evitar a repetição de situações como a do fim de 2025, quando o atraso na liberação de crédito quase comprometeu o pagamento do 13º salário dos funcionários.
Desafios na captação e alternativas em estudo
A percepção entre os bancos é de que pode haver pouco apetite para oferecer um novo empréstimo aos Correios, especialmente nas condições atuais. A primeira operação envolveu os maiores bancos do país, e uma nova negociação pode ser mais complexa.
Instituições menores chegaram a apresentar propostas, mas com custos considerados elevados pela União. Um novo endividamento, segundo executivos, pode não ser a melhor saída para os Correios, que já terão um serviço da dívida significativo a partir de 2029, superior a R$ 1 bilhão por ano.
Diante desse cenário, o aporte da União em 2026 é visto como inevitável por técnicos. Além disso, o governo estuda outras alternativas, como uma compensação pela prestação do serviço postal universal. Essa universalização, um encargo constitucional, representa uma parcela considerável dos custos da companhia.
Modelos de outros países, que cobram uma taxa para financiar a universalização, estão sendo avaliados. O objetivo é garantir um incremento nas receitas dos Correios e assegurar a sustentabilidade da empresa em seu processo de recuperação.
Em resposta, os Correios afirmaram que a primeira etapa do plano de reestruturação está em andamento, normalizando as operações. A empresa declarou que “novas operações junto ao mercado poderão ser consideradas nas próximas fases do plano, caso se mostrem oportunas e alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa”.