Corrida por chips para IA deve elevar preços de smartphones e PCs em 2026, Arm, Qualcomm e Samsung alertam sobre escassez de memória HBM

A rápida expansão de datacenters para inteligência artificial está criando uma forte competição por chips de memória, e consumidores podem sentir o efeito no bolso já em 2026.

Fabricantes de componentes e gigantes da tecnologia estão realocando produção para memória de alta largura de banda, reduzindo oferta para equipamentos móveis e PCs.

No texto a seguir explicamos por que a corrida por chips para IA afeta smartphones e laptops, quem deve ser mais impactado e como o mercado tenta se ajustar, conforme informação divulgada na CES e em comunicados da Arm, Samsung e Qualcomm, e por relatórios do Morgan Stanley e IDC.

Por que a memória HBM virou prioridade

Os datacenters que rodam modelos avançados de IA exigem grandes volumes de memória rápida, conhecida como HBM, para processar cargas massivas de dados em paralelo.

Como resultado, fornecedores dominantes, como Samsung e SK Hynix, além do grupo americano Micron, passaram a alocar mais capacidade fabril para HBM avançada, e menos para chips de memória orientados ao consumidor.

O CEO da Arm, Rene Haas, alertou que as restrições são significativas, ele disse que as restrições nos chips de memória são “as mais severas em pelo menos duas décadas”.

Declarações das empresas e sinais de escassez

Na CES, o co-CEO da Samsung, TM Roh, afirmou que a escassez é “sem precedentes” e terá um impacto “inevitável” nos consumidores, destacando a prioridade na produção para datacenters.

O diretor financeiro da Qualcomm, Akash Palkhiwala, definiu a crise como “bastante dramática, e o que está impulsionando a escassez são as implantações de centros de dados por cinco ou seis empresas no mundo com uma quantidade incrível de despesas de capital”.

Relatos corporativos já mostram a mudança, a Samsung disse que seu lucro operacional do quarto trimestre triplicou devido principalmente às vendas de HBM, e a Micron anunciou em dezembro que estava encerrando sua marca de consumo “Crucial”, citando o aumento da demanda de datacenters de IA.

Impacto esperado em preços e vendas de dispositivos

Analistas do Morgan Stanley afirmam que o aumento acentuado nos custos de chips de memória deve levar a fabricantes de hardware a elevar “significativamente” os preços de produtos no primeiro semestre do ano, o que pode reduzir vendas de smartphones Android e PCs Windows.

A IDC estimou que, dependendo da duração da escassez, o mercado de smartphones pode contrair até 5,2% em 2026. Fabricantes chineses de entrada provavelmente serão os mais afetados, por dependerem de componentes mais sensíveis à oferta.

Uma exceção aparente é a Apple, que não aumentou os preços do iPhone 17 apesar de pressões de tarifas e interrupções na cadeia de suprimentos, e tanto Apple quanto Samsung têm acordos de longo prazo para garantir fornecimento de componentes.

Consequências para consumidores e mercado brasileiro

Consumidores nos Estados Unidos já enfrentaram um ano difícil por tarifas, inflação e desemprego, e a Consumer Technology Association informou que a confiança do consumidor no final de 2025 alcançou seu nível mais baixo desde julho de 2022.

No Brasil, um aumento nos preços de smartphones e PCs pode frear a recuperação das vendas, especialmente na faixa de entrada, e levar consumidores a adiar compras ou escolher aparelhos mais antigos.

Em curto prazo, espere maior volatilidade nos preços de memória, prioridade de fornecimento para grandes compradores de IA, e uma possível retração nas vendas de dispositivos mais baratos, enquanto empresas com contratos de longo prazo agregam vantagem competitiva.

O que pode mitigar a pressão por chips

Medidas que podem aliviar a escassez incluem expansão de fábricas de memória, renegociação de contratos e diversificação de fornecedores, além de investimentos em eficiência de software para reduzir demanda por HBM em algumas cargas de trabalho.

Enquanto isso, a corrida por chips para IA deve seguir como motor do mercado de semicondutores, e consumidores devem acompanhar ofertas, promoções e alternativas de financiamento para amenizar o impacto de preços mais altos em 2026.

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