Brasil celebra marco histórico nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026, conquistando primeira medalha de ouro e elevando seu status no cenário global.
O Brasil encerrou sua participação nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026 em um momento de celebração e reconhecimento, alcançando um patamar inédito para o país nas competições de neve e gelo. A conquista da primeira medalha de ouro, somada a outros recordes e melhores desempenhos, marca um divisor de águas na história do esporte brasileiro em edições de inverno.
A estratégia de buscar atletas com potencial e que já praticavam modalidades de inverno, muitos deles vivendo no exterior, provou ser um sucesso. Essa abordagem permitiu ao Brasil não apenas sonhar com pódios, mas também competir de igual para igual com nações tradicionais, demonstrando que o talento e a dedicação podem superar barreiras geográficas e climáticas.
Segundo Emilio Strapasson, responsável do COB (Comitê Olímpico do Brasil) pela liderança esportiva e operacional nos Jogos, a sensação é de ter ingressado em um “grupo exclusivo”. “Antes, éramos só o pessoal dos pins raros, agora nós temos uma medalha de ouro depois de 102 anos de Olimpíadas de Inverno”, declarou Strapasson, ressaltando a magnitude da conquista para o esporte nacional. As informações foram divulgadas após o encerramento dos jogos em Milão.
Ouro Inédito e Novos Horizontes para o Esporte Brasileiro
A principal estrela da delegação brasileira foi o esquiador Lucas Pinheiro Braathen, de origem norueguesa e brasileira, que conquistou a inédita medalha de ouro no esqui alpino. Sua performance não apenas garantiu o lugar mais alto do pódio, mas também colocou o Brasil em destaque mundial, algo nunca antes alcançado por um país latino-americano em Jogos de Inverno.
Braathen, que se tornou um fenômeno midiático, não apenas pela sua conquista, mas também pela sua personalidade vibrante e declarações sobre suas origens e paixões, como o pão de queijo, personifica a diversidade e a multiplicidade que o esporte brasileiro busca abraçar. Ele ressaltou a importância de sua história complexa para seu desenvolvimento como atleta.
O COB já confirmou que Lucas Pinheiro Braathen está comprometido com o Brasil para o próximo ciclo olímpico, com o objetivo de disputar os Jogos de 2030 nos Alpes Franceses. A intenção do comitê é continuar identificando e atraindo talentos brasileiros no exterior para fortalecer ainda mais a equipe.
Superação e Recordes em Diversas Modalidades
Além do ouro de Braathen, outros atletas brasileiros alcançaram resultados expressivos, batendo recordes pessoais e para o país. A delegação brasileira em Milão-Cortina 2026 foi a maior em uma edição de inverno, e também obteve o maior número de atletas entre os 20 melhores em suas respectivas modalidades.
No skeleton, Nicole Silveira, residente no Canadá, conquistou o 11º lugar, o melhor resultado do Brasil em esportes no gelo. No snowboard halfpipe, Pat Burgener (Suíça) e Augustinho Teixeira (Canadá) terminaram em 14º e 19º, respectivamente. O bobsled, com a equipe liderada por Edson Bindilatti, alcançou o 19º lugar, outro marco histórico para o país.
Milão-Cortina 2026: Um Legado para a Itália e o Mundo
A Itália, anfitriã dos Jogos, também celebrou sua melhor performance histórica, terminando em quarto lugar no quadro de medalhas com 30 pódios, incluindo 10 ouros. A organização descentralizada em sete cidades, que será replicada pela França em 2030, superou desafios como obras atrasadas e protestos, ocorrendo sem grandes incidentes.
A arena Santa Giulia, em Milão, e a pista de bobsled, skeleton e luge em Cortina, que custou € 118 milhões (R$ 723 milhões), foram destacadas. Os organizadores em Cortina prometem que a pista se tornará um centro de treinamento para atletas de outros países, evitando o destino de “catedral no deserto”.
As instalações em Milão, que utilizaram pavilhões de centros de convenções já existentes, com boa infraestrutura de transporte, foram elogiadas pela sustentabilidade. A cidade celebrou o legado de acessibilidade, com 97% das estações de metrô equipadas com elevadores, um avanço crucial para as Paralimpíadas e para os moradores.
Equilíbrio de Gênero e Polêmicas nos Jogos
Milão-Cortina 2026 se destacou por ser a edição com maior equilíbrio de gênero, com 47% de atletas mulheres, 50% de mulheres na organização e 51% de mulheres entre os 18 mil voluntários. Este foi um marco importante, especialmente na primeira Olimpíada liderada por uma mulher no COI, Kirsty Coventry.
No entanto, os Jogos também foram palco de polêmicas, como a desclassificação do esquiador ucraniano Vladislav Heraskevich por usar um capacete com imagens de atletas mortos na guerra contra a Rússia. A decisão gerou debate sobre as regras de manifestação política nos Jogos, um tema que deve se estender às Paralimpíadas, com a promessa de boicote à cerimônia de abertura por parte dos ucranianos.