Dólar fecha em R$ 5,20 com olhos na guerra e juros, enquanto Bolsa avança 0,29%
O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (17) em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,199. O movimento acompanha a tendência internacional e estende as perdas registradas no dia anterior. O mercado digere os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e se prepara para as decisões de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil.
A tensão na região aumentou após Israel afirmar ter matado Ali Larijani, figura chave na segurança do Irã e considerado o principal operador do regime. Teerã ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido. Contudo, mesmo com a escalada, o apetite por risco predominou entre os investidores globais.
Nesse cenário, a Bolsa de Valores brasileira também apresentou ganhos, fechando em alta de 0,29%, aos 180.409 pontos. A quarta-feira será decisiva, com a divulgação das decisões de juros tanto do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, quanto do Comitê de Política Monetária (Copom) do Brasil, que podem influenciar os fluxos de capital e a cotação do dólar.
Tensões no Oriente Médio e o Preço do Petróleo
A morte de Ali Larijani representa um alvo importante para Israel, sendo a figura de maior destaque atingida desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. Paralelamente, forças iranianas voltaram a atacar aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Um terceiro ataque em quatro dias no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, levou à interrupção do carregamento de petróleo em um terminal crucial.
As operações no campo de gás Shah também permanecem suspensas. Essa situação ameaça isolar ainda mais a região, que já sofre com o estrangulamento do Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo. A interrupção em cascata pode bloquear o canal remanescente de exportação de petróleo bruto na região.
O preço do petróleo Brent, referência internacional, chegou a se aproximar de US$ 105 na madrugada, e no final da tarde registrava alta de 3,5%, cotado a US$ 103,75. O WTI, utilizado nos EUA, avançou 3%, a US$ 96. Apesar das tensões, o dólar registrou desvalorização global, com o índice DXY caindo 0,12%.
O Real e a Resistência em Mercados Emergentes
Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, destaca que o real tem se mostrado resiliente. “O real é uma das moedas latinas que melhor tem resistido à turbulência que os mercados emergentes vêm enfrentando nas últimas semanas”, afirma. Ele aponta que, como exportador de petróleo, o Brasil tem potencial para absorver melhor um eventual aumento da inflação.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio também impactam as expectativas de política monetária. O mercado já precifica que o Fed manterá os juros atuais nos Estados Unidos, entre 3,5% e 3,75%, até julho. O petróleo mais caro pode pressionar a inflação e reduzir o espaço para cortes rápidos de juros pelo Fed.
Decisões de Juros: Fed e Copom em Foco
A probabilidade de manutenção dos juros pelo Fed na reunião desta quarta-feira é de 99,2%, segundo a ferramenta FedWatch. Já no Brasil, o cenário para a decisão do Copom é de maior incerteza entre os analistas. Bancos que antes projetavam um corte de 0,5 ponto percentual agora preveem juros estáveis em 15% ao ano ou uma redução mais modesta de 0,25 ponto percentual.
A XP, por exemplo, passou a prever a manutenção da taxa Selic em 15%, citando uma “abordagem mais cautelosa” diante de um cenário de inflação deteriorado. O BNP Paribas sugere que o Copom poderia até adiar o início do ciclo de afrouxamento para abril, buscando maior clareza sobre a economia doméstica e o cenário geopolítico.
Entre 27 instituições consultadas pela Bloomberg, a maioria ainda aposta em algum corte, mas a divisão reflete a cautela. “Essa mudança tende a ser positiva para o real, pois sugere juros mais elevados por mais tempo, o que favorece os rendimentos dos títulos do Tesouro Nacional e contribui para sustentar a moeda”, avalia Lucca Bezzon, analista da Stonex.