Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é acusado de pagar propina e oferecer viagens a ex-servidores do Banco Central.
A Polícia Federal revelou nesta quarta-feira (4) detalhes de uma investigação que aponta o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, como principal articulador de um esquema de **pagamento de propina** a ex-diretores e servidores do Banco Central (BC). A suspeita é que os valores e benefícios visavam influenciar decisões e obter informações privilegiadas.
Segundo a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, Vorcaro mantinha um grupo de WhatsApp com o ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Belline Santana. Ambos teriam atuado como consultores privados para o banqueiro, recebendo em troca vantagens indevidas.
Entre os benefícios citados está uma **viagem à Disney** paga a Paulo Sérgio de Souza, além da simulação de um contrato de consultoria para justificar pagamentos a Belline Santana. A investigação sugere que os servidores usavam suas posições para facilitar os interesses do Banco Master junto ao órgão regulador. A informação foi divulgada conforme decisão do STF.
Grupo de WhatsApp e orientações estratégicas no BC
O grupo em aplicativo de mensagens servia como canal direto de comunicação entre Daniel Vorcaro e os ex-servidores do BC. Conforme a decisão, o banqueiro solicitava e recebia **orientações estratégicas** sobre como conduzir reuniões institucionais, elaborar documentos e abordar temas sensíveis com autoridades regulatórias. O ex-diretor Paulo Sérgio de Souza chegou a dar conselhos sobre como Vorcaro deveria se comportar em reuniões com o então presidente do BC, Roberto Campos Neto.
Viagem à Disney e contratos simulados como propina
A investigação aponta que a atuação de Souza e Santana ia além da consultoria informal. Eles teriam influenciado a análise de processos administrativos, fornecido informações sobre procedimentos em andamento e indicado estratégias para superar dificuldades regulatórias enfrentadas pelo Banco Master. Em alguns casos, Vorcaro recebia **alertas prévios** sobre movimentos financeiros identificados pelo BC, permitindo que ele tomasse medidas para mitigar futuras contestações.
Intermediação em operações e encontros sigilosos
Paulo Sérgio de Souza também é suspeito de intermediar ou auxiliar o Banco Master em operações societárias e financeiras, chegando a indicar potenciais compradores para instituições ligadas ao grupo de Vorcaro. Belline Santana, por sua vez, teria participado de **encontros fora das dependências do BC** e revisava documentos do banco a serem enviados ao BC, conduta incompatível com seu cargo. Pagamentos a Santana eram feitos através de laranjas para evitar vínculos diretos com Vorcaro.
Prisão de Vorcaro e afastamento dos servidores
Daniel Vorcaro foi preso nesta quarta-feira (4) em uma operação da Polícia Federal que também cumpriu mandados de busca e apreensão contra Paulo Sérgio de Souza e Belline Santana. Ambos os ex-servidores do BC já haviam sido afastados de suas funções pelo atual presidente do órgão, Gabriel Galípolo, antes da deflagração da operação.