Empresário acusado de matar gari admite estar armado e dá risada em entrevista; esposa é delegada
O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, preso pela morte do gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, concedeu sua primeira entrevista desde o ocorrido. Renê admitiu estar armado no local do crime e confirmou sua presença na cena, mas negou veementemente ter efetuado os disparos que vitimaram o trabalhador. A declaração foi feita em entrevista ao programa ‘Domingo Espetacular‘, exibido pela Record TV.
O crime ocorreu após um desentendimento de trânsito entre o empresário, que atua no setor de alimentação, e a equipe de coletores de lixo. O caso gerou grande repercussão na capital mineira e levanta questões sobre a versão do acusado e possíveis privilégios.
A entrevista, conduzida pelo jornalista Roberto Cabrini, trouxe à tona detalhes sobre a conduta de Renê no dia do crime e sua relação com sua esposa, Ana Paula Balbino, que é delegada de polícia. O empresário enfrenta acusações de homicídio triplamente qualificado, porte ilegal de arma e fraude processual, podendo pegar até trinta anos de prisão.
Mudança de Versões e Orientação Defensorial
Renê da Silva Nogueira Júnior comentou a inconsistência entre sua versão inicial e o depoimento atual, onde confessou portar a arma. Ele explicou que a orientação inicial de seu advogado foi para que ele não comentasse nada, até que o defensor pudesse analisar todos os detalhes do processo. Essa postura inicial gerou dúvidas sobre a veracidade dos fatos.
No entanto, relatórios policiais descrevem um perfil distinto do empresário, apontando-o como um indivíduo de comportamento frio, violento e com obsessão por armas. Essa descrição contrasta com a imagem que ele tenta projetar publicamente.
Suposto Privilégio e Relação com Delegada
Um dos pontos de maior questionamento no caso é o fato de Renê ser casado com Ana Paula Balbino, uma delegada de polícia com atuação destacada no combate à violência doméstica. Ao ser questionado sobre a possibilidade de ter recebido tratamento diferenciado na abordagem policial, o empresário negou qualquer influência.
“Eu não tive contato com minha esposa. Eu liguei para o coronel da Polícia Militar para ver o que eu faria”, declarou Renê, tentando afastar a ideia de privilégios. A sua relação com a esposa delegada tem sido um dos focos da investigação.
Relatos Divergentes: Acusado versus Testemunhas
O relato das testemunhas presentes na cena do crime diverge significativamente da versão apresentada por Renê. Um dos coletores de lixo afirmou que o empresário ameaçou a equipe antes dos disparos. “Se vocês encostarem no meu carro, eu dou um tiro na sua cara“, teria dito Renê, segundo a testemunha.
O empresário, contudo, nega ter estado irritado e alega que apenas avisou os coletores que seu veículo não passaria ao lado do caminhão de lixo. Ele tentou minimizar a gravidade da situação, dizendo: “Se batesse o carro, era só uma porta, não a vida de uma pessoa. É muito diferente”.
O gari Thiago Rodrigues Vieira, cuja versão é considerada uma peça chave na acusação, relatou que tentou ajudar Renê a manobrar o carro. Ele percebeu o perigo iminente e alertou a vítima. “Eu falei: Laudemir, toma cuidado. Esse cara vai atirar na gente”, disse Thiago, minutos antes do fatal desfecho. Atualmente, Renê da Silva Nogueira Júnior enfrenta o processo judicial, aguardando o desfecho do caso na justiça mineira.
