Empresas petrolíferas dos EUA, como Exxon, Chevron e ConocoPhillips, dizem não ter sido consultadas por Trump sobre operação para capturar Maduro na Venezuela

Petrolíferas dos EUA dizem não ter sido avisadas pelo governo antes da ação para capturar Nicolás Maduro na Venezuela, segundo fontes próximas ao caso.

As três maiores empresas mencionadas, Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron, afirmaram não ter conhecimento prévio da operação, e não mantiveram conversas com a administração Trump sobre investimentos até o domingo seguinte.

As informações foram obtidas de pessoas familiares com o assunto, e contrastam com declarações da Presidência dos EUA, conforme informação divulgada pela Reuters

O que as fontes revelaram

Segundo três pessoas familiarizadas com o assunto, as grandes petrolíferas dos EUA não sabiam da operação dos EUA para capturar Maduro, e não mantiveram conversas com o governo Trump sobre investimentos no país até domingo (4).

As fontes pediram para não serem identificadas devido à sensibilidade do assunto, e nem a Casa Branca, nem a Exxon, nem a Chevron, nem a ConocoPhillips responderam aos pedidos de comentário, de acordo com a reportagem.

A declaração do presidente norte-americano horas após a captura, de que ele havia conversado com todas as empresas petrolíferas dos EUA “antes e depois” da captura de Maduro sobre planos de investimento, entra em contradição com as informações dessas fontes.

O papel e a presença das empresas

A Chevron é a única grande empresa norte-americana atualmente operando nos campos petrolíferos da Venezuela que produzem petróleo pesado usado pelas refinarias da Costa do Golfo dos EUA e outras, e, segundo a reportagem, exporta cerca de 150 mil barris por dia de petróleo bruto da Venezuela para a Costa do Golfo dos EUA.

Exxon e ConocoPhillips, por sua vez, enfrentam histórico complexo no país, após nacionalizações durante o governo de Hugo Chávez. A Conoco tem buscado bilhões de dólares em restituição pela tomada de três projetos na Venezuela, enquanto a Exxon esteve envolvida em longas arbitragens desde sua saída do país em 2007.

Impasses sobre investimentos e infraestrutura

Um dos executivos ouvidos avaliou que a retomada de investimentos será dificultada pela falta de infraestrutura, que exigirá muitos anos e pesados investimentos, além da profunda incerteza sobre o futuro político do país, o quadro jurídico e a política de longo prazo dos EUA.

Mesmo com a expectativa pública do governo de que as maiores petrolíferas americanas gastem bilhões para aumentar a produção venezuelana, fontes do setor dizem que os obstáculos são significativos e imediatos.

Consequências e próximos passos

O caso expõe a distância entre declarações oficiais e o diálogo com o setor privado, e coloca em evidência desafios para qualquer retomada de operações na Venezuela, incluindo questões legais, reputacionais e logísticas.

Fontes consultadas indicam que eventuais negociações dependerão de clareza política e jurídica, prazos longos para reconstrução de infraestrutura, e decisões estratégicas de empresas que ainda lidam com passivos e arrependimentos por perdas anteriores.

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