EUA sob Trump: Brasileiros enfrentam drama familiar com deportações em massa

EUA sob Trump: Brasileiros enfrentam drama familiar com deportações em massa

A política de deportação sob o governo Trump tem gerado um rastro de famílias brasileiras separadas, uma triste realidade que afeta milhares de pessoas que construíram suas vidas nos Estados Unidos. Relatos chocantes revelam a dor e a incerteza de pais e mães que são subitamente retirados de seus lares, deixando para trás cônjuges e filhos.

As consequências dessas separações vão além do abalo emocional, impactando também a estabilidade financeira e psicológica dos que ficam. O UOL mapeou seis famílias brasileiras divididas entre os dois países e entrevistou três delas, expondo a dura realidade de quem tem seus laços familiares rompidos abruptamente.

Essas histórias, como a de Dither Barzan, um empresário que foi deportado após ser parado em uma blitz, ilustram o desespero de quem se vê em centros de detenção, tratados como criminosos. Conforme informação divulgada pelo UOL, uma pesquisa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania sugere que quase 70% dos deportados ouvidos deixaram ao menos um familiar para trás, o que indica mais de 2.000 famílias brasileiras divididas pela força.

A rotina de Dither Barzan: da Flórida a São Paulo, longe da família

Dither Barzan, de 37 anos, vivia em Clermont, na Flórida, com sua esposa e duas filhas adolescentes. Em 30 de julho, após uma viagem de trabalho a Miami, ele foi parado pela polícia estadual, que imediatamente questionou seu status imigratório. A partir dali, o sonho americano de Barzan começou a desmoronar.

O que se seguiu foram mais de três meses em centros de detenção do ICE (Agência de Controle de Migração e Alfândega), em quatro estados diferentes. Barzan descreve condições desumanas, com longos períodos algemado, banhos escassos e frio extremo. Ele foi deportado em 6 de novembro, 20 quilos mais magro, diagnosticado com depressão severa e dependente de medicação.

“Fui sequestrado pelo governo americano e mandado para um campo de concentração”, relata Barzan, que não possui antecedentes criminais. Sua esposa e filhas, que também não têm status legal nos EUA, permanecem na Flórida, vivendo sob o constante temor de serem descobertas por agentes de imigração.

O padrão das deportações: homens provedores como alvo

Um funcionário do governo de Massachusetts, que atua com comunidades migrantes, sugere que o ICE tem um alvo claro: os homens provedores das famílias. Ao prender o principal sustento financeiro, a política visa dificultar a permanência da mulher e dos filhos nos EUA, forçando-os a sair voluntariamente.

Dados sobre brasileiros deportados na gestão Trump confirmam essa observação, com quase 85% dos recebidos no programa de acolhida sendo homens adultos. Paralelamente, autoridades brasileiras em Boston registram um aumento de brasileiros pedindo documentos para retornar voluntariamente, em sua maioria mulheres e crianças.

Felipe Alexandre, do escritório de advocacia Alexandre Law Firm & Associates, aponta que a deportação em si já causa separação familiar, mas a intensidade sob Trump é alarmante. Segundo dados da Polícia Federal, 3.526 brasileiros foram deportados em 2025 em voos fretados pelo ICE, superando os números de 2023 e 2024 somados.

Histórias de despedidas e esperança de reencontro

A família do locutor Frilei Brás, de 39 anos, vivenciou essa dura realidade. Monitorado pelo ICE há sete anos, Brás foi forçado a retornar ao Brasil em junho, deixando para trás sua esposa e seis filhos americanos. Um vídeo emocionante de sua despedida viralizou nas redes sociais.

Após quatro meses, a esposa de Brás e os filhos desembarcaram no aeroporto de Confins, na Grande Belo Horizonte, reunindo a família após a separação imposta. A decisão de retornar juntos foi motivada pela impossibilidade de manterem vidas separadas.

Outro caso é o de Rafaelle Sousa, de 41 anos, que foi detida em um centro do ICE na Flórida. Após quase dois meses, ela foi deportada para o Brasil, sem seus filhos. Seu companheiro, com residência permanente nos EUA e filhos americanos natos, lamenta a crueldade da separação, que poderia ter sido ainda pior se ambos tivessem sido deportados, o que levaria as crianças para lares provisórios, já que não possuíam documentação brasileira.

O medo constante e a busca por segurança familiar

O medo de que os filhos sejam retirados dos pais é um pesadelo constante para os brasileiros nos EUA. Autoridades brasileiras em Boston registraram um aumento expressivo nos registros de nascimento de crianças e adolescentes brasileiros nos últimos anos, um reflexo direto do temor de deportação e da necessidade de garantir a cidadania para evitar a separação familiar.

A política de imigração sob o governo Trump, com seu discurso anti-imigração e promessas de deportação em massa, intensificou o drama de famílias brasileiras. A separação, antes um risco, tornou-se uma realidade dolorosa para muitos, que buscam desesperadamente manter seus lares unidos diante de um sistema que, por vezes, parece implacável.

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