Fabinho Soldado abre o jogo sobre sua conturbada saída do Corinthians e novo desafio no Internacional
O ex-executivo de futebol do Corinthians, Fabinho Soldado, concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal LeoDias Esportes, detalhando os bastidores de sua saída do clube paulista e sua ida para o Internacional. Soldado revelou que sua saída se deu por conta de desentendimentos políticos internos e por incomodar um grupo específico dentro da diretoria corintiana.
Segundo Soldado, a sua postura profissional e a proximidade com os jogadores foram pontos que desagradaram parte da cúpula do Corinthians. Ele mencionou que o clube passava por uma instabilidade política e que sua forma de trabalho, focada em profissionalizar o departamento, gerava atritos.
A entrevista, realizada por telefone, abordou também a questão salarial e a relação do executivo com o elenco, incluindo a polêmica envolvendo o jogador Memphis Depay. Fabinho Soldado afirmou que sua saída foi em comum acordo, mas deixou claro que a sua presença no clube se tornou um empecilho para determinados grupos políticos, conforme apurado pelo Portal LeoDias Esportes.
A pressão política e o alto salário como motivos da saída
Fabinho Soldado confirmou que sua presença no Corinthians incomodava um grupo político dentro do clube. Ele explicou que sua abordagem profissional, que incluía uma relação franca com os jogadores e a gestão de questões internas do CT Joaquim Grava, desagradava a diretoria. Além disso, o alto salário de aproximadamente R$ 400 mil mensais também era um ponto de pressão para a diretoria, que buscava enxugar a folha salarial em um clube com dívidas bilionárias.
O executivo relatou que, mesmo com declarações do presidente Osmar Stábile em novembro de 2025 afirmando sua permanência e o planejamento para 2026, a situação nos bastidores era tensa. Uma reunião entre Stábile e o ex-diretor de futebol Rubão, dias antes da entrevista do presidente, levantou especulações sobre uma possível volta de Rubão, mas foi interpretada por Soldado como um sinal de que sua saída já estava sendo discutida.
Relação próxima com os jogadores e a gestão de crises
Um dos pontos centrais da entrevista foi a relação de Fabinho Soldado com os jogadores do Corinthians. Ele defendeu sua proximidade com o elenco como uma habilidade profissional positiva, essencial para contornar crises e manter o grupo unido, especialmente em momentos de atraso de pagamentos ou outros problemas. Soldado comparou seu modelo de gestão ao de outros grandes clubes brasileiros, como Flamengo e Palmeiras.
Ele mencionou que sua atuação visava criar um ambiente profissional e seguro, onde o acesso a jogadores e comissão técnica fosse restrito aos responsáveis diretos, evitando a interferência de outros membros do clube. Essa postura, segundo ele, era o que mais incomodava, pois fugia do modelo tradicional de acesso irrestrito que alguns dirigentes estavam acostumados.
O caso Memphis Depay e a gestão de conflitos
Abordando a situação do jogador Memphis Depay, Fabinho Soldado esclareceu que as ausências do atleta nos treinos não foram motivadas por atrasos salariais, mas sim por questões clínicas. Ele admitiu que houve dias em que o jogador se mostrou frustrado, mas que seu papel era justamente o de apaziguar os ânimos e manter a tranquilidade no elenco.
Soldado ressaltou que a conquista de títulos como a Copa do Paulista e a Copa do Brasil só foi possível graças a esse trabalho de bastidores e à manutenção de um ambiente coeso. Ele acredita que, sem essa relação próxima com os atletas, a situação no clube seria ainda mais complicada.
Novo rumo no Internacional e despedida do Corinthians
Fabinho Soldado confirmou que seguirá para o Internacional de Porto Alegre para assumir o mesmo cargo de executivo de futebol. Ele expressou gratidão pela oportunidade e mencionou a parceria com Abel Braga, com quem conquistou títulos importantes em 2006. Apesar da tristeza pela saída do Corinthians, ele prefere focar no futuro e não remoer o passado.
Ele deixou claro que não tinha vontade de sair do Corinthians, pois conquistou títulos importantes e desejava dar continuidade ao trabalho. No entanto, diante da conjuntura política e da constatação de que sua presença incomodava, optou por deixar o cargo para que outra pessoa pudesse assumir e, possivelmente, melhorar o que ele não conseguiu. O Corinthians anunciou oficialmente a saída de Soldado em 23 de dezembro, após a conquista da Copa do Brasil, em nota oficial informando que a decisão foi em comum acordo.