Feminicídio Ignorado: Pacto Nacional é Símbolo de Inação Diante da Violência Brutal no Brasil?

Feminicídio: A Sombra da Violência Ignorada em Meio ao Caos Político Brasileiro

No início de fevereiro, um anúncio gerou manchetes: o “Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio”, assinado pelos líderes dos três Poderes. Contudo, a iniciativa se resume à criação de um comitê, cujo impacto real é incerto, dependendo das manobras políticas.

Este comitê, batizado de “Comitê Interinstitucional de Gestão”, visa acompanhar dados e ações, reunindo representantes de diversos órgãos. No entanto, a proposta surge em um momento de intensa polarização e desvio de atenção em Brasília, com escândalos e discussões que parecem ofuscar a urgência de combater a violência contra a mulher.

A realidade assustadora do feminicídio no Brasil, marcada por casos brutais e estatísticas alarmantes, parece perder espaço para o “show” político. A falta de ações concretas e a priorização de pautas secundárias deixam um rastro de impunidade e dor. Informações sobre o pacto e sua efetividade foram divulgadas pela imprensa especializada.

A Crueldade dos Números e a Falta de Respostas Efetivas

Ainda em memória recente, o brutal assassinato de Tainara Souza Santos, que morreu aos 31 anos após ser torturada e arrastada por um carro na véspera do Natal passado, evidencia a crueldade com que o feminicídio se manifesta no Brasil. Desde então, estima-se que outras 228 mulheres tenham sido vítimas, uma média de quatro por dia, um número que pode ser ainda maior devido à subnotificação.

O Instituto Sou da Paz aponta que a taxa de solução de homicídios no Brasil tem variado entre 30% e 40% nos últimos nove anos. No final de 2024, apenas 36% dos homicídios dolosos ocorridos em 2023 haviam sido esclarecidos, com dados incompletos de muitos estados, refletindo a precariedade até mesmo do registro de crimes.

Diante deste cenário, surge a pergunta: quantos feminicídios permanecem ocultos nessa violência generalizada? A subnotificação é uma realidade que agrava a situação, escondendo a dimensão real do problema sob estatísticas incompletas.

Um País Afogado em Mortes e Descaso Político

Em 2024, o Brasil registrou 44.127 “Mortes Violentas Intencionais”, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Somam-se a isso cerca de 37 mil mortes no trânsito, configurando um cenário de violência endêmica. A complacência da sociedade diante desse “morteiro” é preocupante.

A discussão sobre uma possível PEC da Segurança parece insuficiente diante da ausência de planos reais, coordenação nacional e projetos supervisionados por especialistas. A falta de dados precisos sobre as vítimas e os motivos de suas mortes dificulta a criação de políticas eficazes.

O cenário político brasileiro, marcado por “tumultos vexaminosos” e a degradação das instituições, afunda o país em um lamaçal de desordem. Iniciativas como a tentativa de Flávio Dino de conter a roubalheira com emendas parlamentares, embora meritórias, são frequentemente sabotadas pela politicalha, um mau sinal para o futuro.

Prioridades Desviadas: O Feminicídio Perca Espaço no Debate

O feminicídio, assim como outras questões cruciais como a pobreza crônica, a ineficiência de serviços públicos, a precarização da ciência e a baixa qualidade da educação, é constantemente ignorado no centro do debate público. Até mesmo assuntos em voga, como o atraso do país em Inteligência Artificial, recebem mais atenção.

O foco excessivo na “politicalha” e na desordem institucional impede que o país avance. A ausência de um movimento político ou social forte, ou de um partido de oposição relevante, agrava o estado de coisas, deixando pautas fundamentais, como o combate ao feminicídio, em segundo plano.

A sociedade brasileira parece anestesiada diante da violência que a cerca, distraída por um palco de “podres e bobagens”. A urgência em addressing o feminicídio e outras formas de violência contra a mulher demanda uma mudança radical de prioridades e a implementação de ações concretas, e não apenas discursos vazios.

Leia mais

PUBLICIDADE