Fictor em Crise: Recuperação Judicial de R$ 4 Bilhões Expõe Dívidas e Disputas com Credores

Fictor Pede Recuperação Judicial com Dívida de R$ 4,2 Bilhões e Busca Suspensão de Cobranças

A holding financeira Fictor entrou com um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A empresa alega uma dívida total de R$ 4,2 bilhões e solicitou, em caráter de urgência, a suspensão de execuções e bloqueios por 180 dias, visando evitar pressões de liquidez e garantir uma solução equânime para todos os credores.

O pedido abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest, que compõem o braço financeiro do grupo. A Fictor, fundada em 2007, atua em diversos setores, incluindo alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis, com cerca de 30 empreendimentos avaliados em mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões). A maior parte dos credores, segundo a empresa, são sócios dos negócios oferecidos.

A medida, conforme comunicado pela Fictor, busca criar um ambiente de negociação estruturada e tratamento isonômico para garantir a continuidade sustentável das atividades. Subsidiárias como a Fictor Alimentos S.A., listada na B3, devem seguir com suas rotinas normalmente. A recuperação judicial visa evitar que empresas economicamente viáveis sejam prejudicadas por restrições processuais, conforme explica Carlos Deneszczuk, advogado do Dasa Advogados. As informações foram divulgadas pela Fictor em seu comunicado oficial.

Tentativa Frustrada de Compra do Banco Master e Problemas de Liquidez

Em novembro do ano passado, a Fictor anunciou a intenção de comprar o Banco Master, operação que foi barrada pelo Banco Central um dia antes da liquidação do banco. Na época, a Fictor previa injetar mais de R$ 3 bilhões na operação. O fracasso dessa negociação, somado a questionamentos judiciais por problemas no pagamento de dividendos a clientes, teria gerado um “desafio temporário de liquidez e de timing operacional”, segundo a própria Fictor.

Recentemente, em 27 de janeiro, o TJSP determinou o bloqueio de R$ 150 milhões das contas da Fictor. A decisão atendeu a um cliente que intermedia pagamentos com cartões de crédito empresariais e alegou que a Fictor retirou dinheiro de uma conta de garantia, onde deveria manter R$ 150 milhões para evitar riscos de inadimplência. A operadora de meios de pagamento, sob sigilo judicial, temia que a crise de liquidez do Banco Master tivesse afetado a Fictor. A Justiça reconheceu o risco ao aceitar o bloqueio.

Credores Questionam Recuperação Judicial Seletiva e Pedem Inclusão de Subsidiárias

Logo após o pedido de recuperação judicial da Fictor, um grupo de credores solicitou à Justiça a inclusão de subsidiárias do grupo, como Fictor Alimentos S.A., Fictor Energia, Fictor Real Estate e FictorPay, no processo. Representando uma coletividade de credores, o advogado Felipe Gosuen da Silveira alega que há um cenário de desvio de finalidade e confusão patrimonial no grupo.

A petição dos credores argumenta que a magnitude da insolvência é evidenciada por uma série de ações judiciais. Em São Paulo, foram listados 16 processos de credores com dificuldades de receber dinheiro investido em produtos da Fictor, além de casos no Distrito Federal, Minas Gerais e Paraná. O TJSP já recebeu pedidos de investidores que somam R$ 6,1 milhões.

Segundo o advogado, o grupo Fictor estaria pleiteando a recuperação judicial de forma “seletiva e fraudulenta”, pois as subsidiárias compartilham a mesma unidade de comando, endereço e apresentam confusão patrimonial. Recursos captados pela Fictor Invest teriam sido drenados para as subsidiárias e fundos geridos pela Fictor Asset. O advogado afirma que a Fictor Invest é uma “casca vazia”, com saldo bancário irrisório, e que manter as subsidiárias fora da recuperação judicial permitiria ao grupo usar o período de suspensão como blindagem patrimonial.

Principais Credores e Impacto na Continuidade dos Negócios

Os principais credores da Fictor são a American Express Brasil, com uma dívida de R$ 893 milhões, e a Sefer Investimentos DTVM, com R$ 430 milhões. Credores pessoa física aparecem com valores abaixo de R$ 34 milhões. A Fictor, por sua vez, alega que incluir as subsidiárias na recuperação judicial causaria um “verdadeiro efeito dominó”, comprometendo sociedades saudáveis e interrompendo cadeias produtivas.

A Fictor alega que a tentativa de compra do Banco Master afetou sua reputação devido a “especulações de mercado” e “notícias negativas”, impactando a liquidez do grupo. A empresa também realizou um plano de reestruturação que incluiu a diminuição de sua estrutura física e de colaboradores, buscando proteger os direitos dos funcionários e agilizar o recebimento de indenizações trabalhistas. A empresa reafirma que a recuperaçao judicial busca preservar mais de dez mil empregos diretos e indiretos.

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