Governo francês anuncia suspensão de frutas da América do Sul com resíduos de agrotóxicos proibidos, como abacate e maçã, e pede à União Europeia amplificar controles
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, anunciou a suspensão da importação de frutas da América do Sul que contenham agrotóxicos proibidos na Europa, em medida voltada aos agricultores locais.
A decisão abrange produtos como abacate, maçã, manga, goiaba, citros e uvas, e prevê reforço de fiscalizações nas fronteiras e no interior do país.
A mudança cria nova tensão nas negociações sobre o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, e aumenta a pressão política entre os blocos, conforme informação divulgada em Paris
O anúncio e o teor das medidas
No comunicado, Lecornu afirmou, “Portarias serão adotadas pelo governo esta semana para suspender a importação de gêneros alimentícios provenientes de países da América do Sul, como abacates e maçãs, contendo resíduos de cinco substâncias no entanto já probidas na Europa”, afirmou Lecornu em uma “carta aberta aos agricultores da França”.
Em postagem na rede X, ele citou especificamente as substâncias listadas, “mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim.” O governo anunciou que os controles serão reforçados para impedir a entrada desses resíduos.
Como serão os controles e a cobrança à União Europeia
Lecornu declarou que “os controles sobre as importações serão maciçamente reforçados, nas fronteiras e dentro do território [francês]”. Ele também afirmou, “Acabo de endurecer as instruções a esse respeito. Cabe doravante à União Europeia amplificar rapidamente essas ações na escala de todo o mercado europeu”.
Em prática, isso significa aumento de inspeções, testes de resíduos em lotes importados e possibilidade de bloquear cargas que apresentem os compostos citados, com impacto direto nas exportações sul-americanas de frutas.
Repercussão política e risco para o acordo UE-Mercosul
A França tem sido a maior opositora ao tratado de redução de tarifas devido à pressão do lobby agrícola, que teme concorrência dos produtos sul-americanos. Em dezembro, Paris conseguiu adiar a assinatura final, com apoio da Itália.
O adiamento irritou o Brasil, e o governo brasileiro avisou que pode abandonar as negociações se houver nova postergação. A posição francesa, segundo a informação divulgada em Paris, segue atuando nos bastidores para dificultar a entrada em vigor do acordo, que dependerá da aprovação do Parlamento Europeu.
O que muda para consumidores e exportadores
Para consumidores na França, a medida se traduz em busca por maior segurança alimentar, com ênfase no controle de resíduos. Para exportadores do Mercosul, há risco de retenção de cargas e perda de mercados, enquanto negociações diplomáticas devem ganhar prioridade nas próximas semanas.
A medida coloca em evidência o equilíbrio entre padrões sanitários e interesses comerciais, e pode acelerar um debate mais amplo na União Europeia sobre harmonização de controles e proteção do setor agrícola.