Golpe do Brad Pitt: fraudes amorosas com celebridades enganam idosos, dados do DataSenado e do FBI e relatos de R$100 mil transferidos no Brasil

Caso viral em Erechim e outras ocorrências revelam que o golpe do Brad Pitt é exemplo de fraudes afetivas que exploram solidão, inabilidade digital e profissionalismo criminoso

Uma mulher foi filmada esperando perto do aeroporto de Erechim, na véspera de Natal, afirmando que o ator viria para se casar e morar com ela em São Valentim, no Rio Grande do Sul.

O vídeo virou meme nas redes sociais, e dias depois a “noiva” disse à polícia que tudo teria sido uma encenação em família, mas o caso reabriu o debate sobre golpes amorosos direcionados a adultos mais velhos.

Esses crimes não só tiram dinheiro, como roubam a dignidade das vítimas, muitas vezes idosas, vacinadas e com pagamentos em débito automático.

conforme informação divulgada pelo g1

Como funciona o golpe do Brad Pitt e outras fraudes afetivas

Golpistas constroem histórias que parecem íntimas e plausíveis, usando perfis falsos de celebridades, militares ou viúvos carinhosos, para criar vínculo emocional e pedir dinheiro.

Segundo relatos de delegacias, os criminosos se apresentam como “soldado americano”, “artista famoso”, ou “viúvo carinhoso”, e solicitam valores para “vir ao Brasil”, “liberar herança”, ou “pagar segurança”.

Números, alcance e exemplos reais

Pesquisa do DataSenado estima que 24% dos brasileiros com 16 anos ou mais perderam dinheiro em crimes digitais no último ano: 41,6 milhões de pessoas. Entre as vítimas, 6,8 milhões têm 60 anos ou mais. Em 2023, o centro de denúncias de crimes cibernéticos do FBI registrou perdas de US$ 357 milhões em fraudes afetivas contra pessoas 60+. No Reino Unido, vítimas entre 50 e 59 anos perderam cerca de US$ 150 milhões, no ano fiscal de 2024/2025.

No Brasil, além do caso em Erechim, há registros como o de uma corretora em São Paulo que transferiu R$ 100 mil para um falso Keanu Reeves, e de uma aposentada em Brasília que acreditou falar com Leonardo DiCaprio e fez uma “doação” a um projeto fictício.

A repetição desses exemplos deixa claro que os criminosos investem tempo em manipular e construir confiança, e que o constrangimento das vítimas muitas vezes impede denúncias imediatas.

Prevenção, apoio familiar e políticas públicas necessárias

Combater o golpe do Brad Pitt exige ações em três frentes, educação digital, suporte afetivo e fiscalização mais robusta das plataformas onde as falsas identidades proliferam.

Familiares devem dialogar sem humilhação, oferecer orientação prática sobre transferências e senhas, e incentivar denúncias às autoridades, pois a vergonha freia a busca por ajuda.

É necessário também investir em letramento digital voltado aos idosos e em políticas públicas que facilitem a identificação e o bloqueio de perfis falsos, evitando que a solidão vire oportunidade de negócio para bandido.

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