Governo Trump marca reuniões com empresas petrolíferas dos EUA para discutir retomada da produção venezuelana, plano exigirá anos e bilhões em investimentos

Governo dos EUA convoca encontros com empresas petrolíferas dos EUA para discutir retorno às operações na Venezuela, objetivo é aumentar produção e exportações, mas há incertezas jurídicas e infraestrutura danificada

O governo do presidente Donald Trump marcou reuniões com executivos de empresas petrolíferas dos EUA para o final desta semana, com foco em como aumentar a produção de petróleo da Venezuela após a deposição de Nicolás Maduro.

As reuniões são vistas como passo inicial para atrair investimentos, mas analistas alertam que serão necessários anos de trabalho e bilhões de dólares para reconstruir a infraestrutura petrolífera venezuelana.

O futuro comercial depende de decisões políticas nos EUA e de garantias jurídicas para as companhias, e ainda não está claro quem participará dos encontros, individual ou coletivamente, conforme informação divulgada pela Reuters.

Objetivo das reuniões e resistência das grandes petroleiras

O planejamento de encontros com as empresas petrolíferas dos EUA tem caráter estratégico, pois Washington busca acelerar a volta de operadores norte-americanos a um país que possui as maiores reservas provadas do mundo.

Segundo quatro executivos do setor, as três maiores petroleiras dos EUA, Exxon Mobil, ConocoPhillips, e Chevron, ainda não tiveram conversas com o governo sobre a remoção de Maduro, informação que contraria declarações de Trump de que ele já teria se reunido com “todas” as empresas petrolíferas dos EUA.

Fontes do setor afirmam que as empresas relutariam em conversar coletivamente com a Casa Branca por preocupações com regras antitruste, que limitam discussões entre concorrentes sobre planos de investimento, cronograma e níveis de produção.

Declarações oficiais e promessa de investimentos

A Casa Branca não comentou detalhes das reuniões, mas a porta-voz Taylor Rogers afirmou, na versão fornecida às agências, que “Todas as nossas companhias petrolíferas estão prontas e dispostas a fazer grandes investimentos na Venezuela para reconstruir sua infraestrutura petrolífera, destruída pelo regime ilegítimo de Maduro”.

Em entrevista à NBC News, Trump afirmou que avalia a possibilidade de um subsídio federal para que as empresas possam reconstruir a infraestrutura energética da Venezuela.

Sobre aviso prévio às petroleiras antes da ação militar que prendeu Maduro, Trump disse, “Não. Mas estávamos discutindo o conceito de ‘e se fizéssemos isso?'”, e acrescentou, “As empresas petrolíferas estavam absolutamente cientes de que estávamos pensando em fazer algo”. Ele também afirmou, “Mas não dissemos a elas que iríamos fazer isso.”

Desafios técnicos, jurídicos e as posições das empresas

Especialistas lembram que recuperar a produção venezuelana exigirá bilhões de dólares e anos de trabalho, pois a infraestrutura foi severamente degradada e há grande incerteza sobre o ambiente jurídico e regulatório pós-Maduro.

A Chevron é atualmente a única grande petroleira norte-americana com operações nos campos venezuelanos, enquanto Exxon e ConocoPhillips tiveram projetos nacionalizados há quase duas décadas, no governo de Hugo Chávez.

A Conoco está buscando bilhões de dólares em restituição pela aquisição de três projetos na Venezuela, e a Exxon travou longas arbitragens após deixar o país em 2007, o que complica negociações imediatas de retorno.

Um executivo do setor afirmou que, fora a Chevron, é pouco provável que outra grande empresa se comprometa rapidamente com grandes desenvolvimentos, dado o risco e os passivos legais.

Impacto no mercado e dados citados

Enquanto o mercado digeria a ação contra Maduro, investidores apostaram que a disponibilidade das reservas venezuelanas poderia beneficiar empresas dos EUA, elevando papéis do setor. O índice de energia do S&P 500 subiu para seu nível mais alto desde março de 2025, com a Exxon Mobil subindo 2,2% e a Chevron saltando 5,1%.

A Chevron já exporta cerca de 150 mil bpd de petróleo bruto da Venezuela para a Costa do Golfo dos Estados Unidos, segundo dados do setor citados pela Reuters, uma rota operacional que pode facilitar um retorno mais rápido dessa companhia.

Apesar do otimismo inicial no mercado, analistas alertam que a concretização de qualquer plano dependerá de contratos claros, proteção jurídica a investidores, e de decisões políticas em Washington sobre incentivos, sanções e eventuais subsídios.

As próximas reuniões entre o governo e as empresas petrolíferas dos EUA serão acompanhadas de perto pelo mercado e por observadores internacionais, pois podem definir o ritmo e a escala de um possível retorno norte-americano à maior base de reservas de petróleo do planeta.

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