Guerra no Oriente Médio: Irã desafia ultimato de Trump e ameaça fechar Estreito de Mândeb em escalada de tensões

Guerra no Oriente Médio se intensifica com Irã desafiando ultimato de Trump e ameaçando fechar Estreito de Mândeb

O conflito no Oriente Médio atingiu um novo patamar de tensão nesta segunda-feira (29), com o Irã reagindo com veemência ao ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a reabertura do Estreito de Ormuz. Enquanto ambos os lados trocavam ataques de mísseis, autoridades iranianas descartaram a exigência americana, apresentando condições próprias para a liberação da passagem marítima crucial para o comércio mundial.

A escalada ocorre em meio a uma intensa atividade diplomática, com países como Egito, Paquistão e Turquia apresentando propostas de cessar-fogo e negociação. No entanto, a retórica beligerante e os ataques a infraestruturas civis e energéticas aumentam o risco de um conflito regional de grandes proporções, que já afeta a segurança energética global.

Neste cenário de incertezas, o Irã também sinalizou a possibilidade de fechar o Estreito de Mândeb, outra rota marítima vital. A ameaça, segundo analistas, visa aumentar a pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados, demonstrando a capacidade iraniana de desestabilizar o fluxo de energia e o comércio internacional. As informações são de agências de notícias internacionais, incluindo a Associated Press.

Irã rejeita prazo de Trump e impõe condições para reabertura de Ormuz

O porta-voz do governo iraniano, Seyyed Mehdi Tabatabai, classificou a declaração de Trump como um ato de “desespero e raiva puros”. Ele afirmou que o Estreito de Ormuz só será reaberto quando todos os danos causados pela “guerra imposta” forem compensados, possivelmente através de uma parcela das receitas de taxas de trânsito. A declaração foi publicada em redes sociais no domingo.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã reforçou a posição, com Esmail Baghaei declarando à agência de notícias Wana que o país está “determinado a defender sua segurança nacional e soberania com todas as forças”. A Missão do Irã na ONU alertou que Trump busca arrastar a região para uma “guerra sem fim”, classificando suas declarações como “incitação direta e pública ao terrorismo contra civis e clara evidência de intenção de cometer crimes de guerra”.

Diplomacia tenta conter a crise com propostas de cessar-fogo

Enquanto as hostilidades aumentam, iniciativas diplomáticas estão em andamento. Embaixadores do Egito, Paquistão e Turquia apresentaram uma proposta conjunta aos Estados Unidos e ao Irã para um cessar-fogo de 45 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz. A proposta foi entregue no domingo ao ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, e ao enviado dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, segundo a Associated Press.

O Primeiro-Ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman bin Jassim Al-Thani, pediu um retorno às negociações. O Omã informou que manteve conversas com diplomatas iranianos no fim de semana para discutir a proposta de reabertura do Estreito de Ormuz. O Ministério das Relações Exteriores do Omã indicou que “visões e propostas” foram apresentadas e serão estudadas.

Ataques mútuos e a ameaça ao Estreito de Mândeb

Em resposta a ameaças e ataques, os Estados Unidos e Israel realizaram ataques contra instalações de petróleo e aço no Irã, que, segundo o Ministro da Defesa israelense, Israel Katz, apoiam a indústria de produção de mísseis do país. Por outro lado, o Irã lançou mísseis e drones contra alvos em Israel, incluindo Tel Aviv e Haifa, e contra refinarias de petróleo e infraestrutura no Golfo Pérsico, alegando que visam instalações que produzem combustível para o uso militar americano.

O Irã confirmou a morte de Majid Khadami, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária. Em resposta, Israel Katz prometeu “caçar” líderes iranianos e ameaçou destruir a infraestrutura nacional do Irã. A escalada também incluiu ataques a complexos de petróleo no Kuwait e a instalações de telecomunicações e portos nos Emirados Árabes Unidos.

Aliakbar Velayati, conselheiro de Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã, alertou que o país pode mirar o Estreito de Mândeb, uma passagem vital conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Aden. Ele declarou que o regime iraniano “vê Mândeb com a mesma intensidade que Ormuz”, e que “o fluxo de energia e o comércio global podem ser interrompidos com um único sinal” caso os EUA repitam “seus erros foolish”.

Impacto no comércio global e segurança energética

O Estreito de Ormuz é por onde passa cerca de 30% do petróleo transportado por via marítima no mundo, enquanto o Estreito de Mândeb, por onde transita aproximadamente 10% do comércio global, é uma rota chave para o transporte de petróleo do Golfo Arábico para o Mediterrâneo, conectando a Europa à Ásia. O fechamento de qualquer uma dessas passagens teria um impacto catastrófico nos mercados globais de energia e no comércio internacional, elevando os preços do petróleo e causando instabilidade econômica em escala mundial.

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