A presença da GWM na CES 2026 em Las Vegas chamou atenção por reunir veículos de grande porte e a apresentação do futuro motor 4.0 V8 híbrido, sinalizando uma aposta além da eletrificação estrita para conquistar clientes nos EUA.
Os modelos expostos, como o Tank 500 e o Wey 07, têm dimensões próximas de SUVs americanos, na tentativa de falar a mesma linguagem dos consumidores locais, e a empresa também mostra interesse em marcas de alto luxo.
Conforme informação divulgada pela GWM na CES 2026, essa estratégia combina motores potentes, versões híbridas plug-in e até referências históricas, em uma tentativa de criar apelo para o mercado norte-americano.
O que a GWM mostrou em Las Vegas
No estande da GWM na CES 2026, a montadora levou utilitários com mais de cinco metros de comprimento, como o Tank 500 e o Wey 07, buscando um público acostumado a modelos grandes, semelhantes ao Chevrolet Tahoe e ao Lincoln Navigator.
A companhia exibiu também o futuro motor 4.0 V8 híbrido, com a proposta de oferecer potência típica de motores V8 e, ao mesmo tempo, a economia e reduzidas emissões do sistema híbrido plug-in, permitindo rodar alguns quilômetros no modo elétrico.
Barreiras políticas e fiscais para a chegada aos EUA
A entrada da GWM no mercado americano encontra obstáculos, incluindo medidas protecionistas e relutância de parte do eleitorado e dos líderes políticos. Entre os entraves, destaca-se, no texto oficial da cobertura, que existe a taxação de 100% sobre veículos elétricos chineses que foi estabelecida pelo governo Joe Biden em maio de 2024, um ponto sensível para montadoras chinesas.
Além disso, a falta de boa vontade na gestão de Donald Trump também é mencionada pela imprensa especializada, ainda que analistas considerem difícil conter a expansão das marcas chinesas diante da demanda por veículos grandes e competitivos.
Plano de luxo e a lembrança da Packard
A GWM publicou nas redes sociais a traseira de um Packard One-Sixty 1941, referência a uma tradicional marca americana de luxo. A mensagem sugere que a GWM estuda criar uma divisão de alto luxo, possivelmente com nomes diferentes das atuais linhas, e que a Packard pode ser um novo braço da empresa voltado para a América do Norte.
Historicamente, houve tentativas de ressuscitar a Packard, sem sucesso até agora, mas o investimento chinês pode mudar essa história e dar origem a produtos sob um selo renovado, com acabamento e posicionamento voltados ao público premium.
Movimentos da concorrência e alternativas para driblar tarifas
Na CES, a Geely também comentou os planos para os EUA. Em entrevista ao canal Autoline Network, Ash Sutcliffe, vice-presidente de comunicação da Geely Holding Group, revelou a intenção de montar modelos Zeekr em uma fábrica da Volvo já instalada nos Estados Unidos, como forma de reduzir o impacto das tarifas.
Seria uma forma de driblar as tarifas em vigor, e mostra que grupos chineses estão buscando vias industriais e comerciais para acelerar a entrada no mercado, enquanto a GWM combina produtos grandes, motores híbridos e estratégias de marca para tentar conquistar espaço.
Enquanto isso, o único veículo de origem GWM confirmado para os EUA neste ano é o furgão FX Super One, da startup Faraday Future, que tem por base a van Wey 8, um exemplo de parceria e adaptação para o mercado local.
O cenário indica que a chegada da GWM aos EUA deve ser gradual, com uma mistura de tecnologia híbrida, oferta de modelos grandes e propostas de luxo para atrair consumidores acostumados a SUVs e picapes de porte elevado, em um mercado que mistura oportunidades e barreiras políticas e tarifárias.