Indústria Brasileira Enfrenta Cenário Desafiador com Crescimento Mínimo em 2025
A indústria do Brasil apresentou um desempenho consideravelmente mais fraco em 2025, marcando o período de menor atividade em quase um ano e meio. Fatores como a política monetária restritiva e as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros contribuíram significativamente para essa desaceleração.
O ano de 2025 viu a produção industrial crescer apenas 0,6%, um resultado modesto comparado aos 3,1% registrados em 2024. Embora seja o terceiro ano consecutivo de alta, a tendência de enfraquecimento é clara e preocupante para o setor.
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3) revelam que o mês de dezembro de 2025 fechou com a retração mensal mais acentuada desde julho de 2024. Conforme informação divulgada pelo IBGE, em dezembro, a produção industrial caiu 1,2% em relação ao mês anterior, um baque considerável para o setor.
Desaceleração Sólida e Impactos da Política Monetária
A produção industrial brasileira em 2025 mostrou uma clara perda de ritmo. A taxa básica de juros, Selic, permaneceu em 15% ao longo do ano, impactando diretamente as decisões de investimento das empresas e o poder de compra das famílias. Essa política monetária restritiva foi apontada como um dos principais vilões do desempenho fraco.
“Ao longo de 2025, verificou-se uma clara perda de ritmo. Esse menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, o que impacta diretamente as decisões de investimento por parte das empresas e de consumo por parte das famílias”, afirmou André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.
A produção industrial ainda se encontra 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011, evidenciando a longa jornada para a recuperação completa do setor. As expectativas de mercado, segundo pesquisa da Reuters, eram mais otimistas, prevendo uma queda de 0,7% no dado mensal e uma alta de 1,1% no anual.
Tarifas dos EUA e Mercado de Trabalho: Fatores Contraditórios
Além da política de juros, o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos para 50% em agosto de 2025 também exerceu pressão negativa. Embora tenham ocorrido alguns recuos posteriores, o impacto inicial foi sentido pelo setor exportador.
Por outro lado, um mercado de trabalho aquecido, com aumento da renda, ajudou a mitigar parte dos efeitos negativos. No entanto, a combinação desses fatores resultou em um cenário de apatia para a indústria brasileira ao longo de 2025.
Setores em Destaque e Quedas Significativas
O setor extrativo, com um avanço de 4,9%, e a indústria de produtos alimentícios, com alta de 1,5%, foram os destaques positivos em 2025. O setor extrativo, impulsionado principalmente pelo petróleo, foi o principal motor do crescimento geral da indústria.
Na contramão, a produção de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis registrou uma queda de 5,3%, sendo o maior influenciador negativo do resultado geral. Entre as categorias econômicas, bens de consumo duráveis e intermediários apresentaram resultados positivos, enquanto bens de consumo semi e não duráveis e bens de capital tiveram taxas negativas.
Perspectivas para 2026 e o Futuro da Indústria
As projeções para 2026 indicam um cenário ligeiramente menos adverso, com a expectativa de início de flexibilização da política monetária. Contudo, a tendência de desaceleração deve persistir no primeiro semestre do ano.
“Com a proximidade do início da flexibilização da política monetária, o setor deverá ter um ano de 2026 menos pior, mas a tendência de desaceleração deve persistir pelo primeiro semestre do ano”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter. A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias, que caiu 8,7% em dezembro, exemplifica a sensibilidade do setor ao crédito e aos juros altos.
