Alexandre de Moraes agradece a Lula por suspensão de sanções Magnitsky nos EUA e celebra “vitória tripla”
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, expressou profunda gratidão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo seu papel fundamental na suspensão das sanções impostas pelos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky. As medidas afetavam diretamente o ministro e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
Durante um evento em Osasco, na Grande São Paulo, Moraes destacou o empenho de Lula como decisivo para que as autoridades americanas reavaliassem o caso. O ministro classificou o desfecho como um momento de grande importância, uma “vitória tripla” para o Brasil.
A suspensão das sanções, segundo Moraes, representa um marco para o Judiciário brasileiro, que, em suas palavras, “não se vergou a ameaças ou coações”. Ele também ressaltou a importância da soberania nacional e da democracia, pilares que, segundo o ministro, foram fortalecidos com essa decisão. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (12).
O que é a Lei Magnitsky e por que Moraes foi alvo
A Lei Magnitsky é um instrumento legislativo dos Estados Unidos que permite a aplicação de sanções econômicas e políticas contra indivíduos acusados de corrupção ou violações de direitos humanos em qualquer parte do mundo. A legislação, que surgiu após a morte do advogado russo Sergei Magnitsky em 2009, permite o congelamento de bens e o bloqueio de contas bancárias em território americano.
Alexandre de Moraes se tornou alvo de potenciais sanções após acusações de parlamentares e empresas americanas. Tais alegações sugeriam que suas decisões judiciais, especialmente aquelas que determinavam o bloqueio de perfis e conteúdos em plataformas digitais, configurariam censura e afetariam cidadãos dos EUA. Empresas como Rumble e Trump Media moveram ações na justiça da Flórida contestando essas decisões.
O papel de Lula e a “vitória tripla” para o Brasil
Em seu pronunciamento, Moraes enfatizou que, em julho, ele próprio havia solicitado ao presidente Lula que evitasse medidas reativas. Ele acreditava que a verdade prevaleceria ao ser apresentada às autoridades americanas. “Com o empenho do presidente, a verdade prevaleceu”, declarou o ministro, agradecendo nominalmente a Lula.
A “vitória tripla” celebrada por Moraes se desdobra em três frentes: uma vitória para o Judiciário brasileiro, que demonstrou resiliência; uma vitória para a soberania nacional, reforçando que o Brasil não aceita interferências externas, como pregado por Lula desde o início de seu mandato; e uma vitória para a democracia, consolidando os valores democráticos.
Contexto político e a extensão das sanções à esposa de Moraes
A possibilidade de sanções contra Moraes ganhou força em maio, quando o secretário de Estado americano Marco Rubio mencionou a alta probabilidade de incluí-lo na Lei Global Magnitsky. Em setembro, a esposa do magistrado, Viviane Barci de Moraes, também passou a figurar na lista de sanções, uma medida interpretada como uma extensão das ações direcionadas ao ministro.
O contexto político se tornou ainda mais tenso após Moraes determinar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro em 4 de agosto. Houve relatos de que o governo dos EUA teria considerado medidas de retaliação, como aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, suspensão de vistos para autoridades ligadas ao STF e a aplicação da Lei Magnitsky a outros membros da Corte, além de integrantes da Polícia Federal e do Ministério Público.
Revogação das sanções e o alívio para o Judiciário
Com a recente revogação anunciada, as restrições impostas pela Lei Magnitsky deixam de valer para Alexandre de Moraes e sua esposa. A decisão marca um alívio significativo para o ministro e reforça a posição do Brasil em defender sua soberania e a independência de suas instituições, com o apoio diplomático do presidente Lula.