Instituto Nacional de Energia Limpa Pede Impugnação de Leilão de Energia da Aneel, Apontando Prejuízo Bilionário para Consumidores

Leilão de Energia em Risco: Instituto Alerta para Potencial Prejuízo de R$ 510 Bilhões aos Consumidores

O Instituto Nacional de Energia Limpa (INEL) protocolou um pedido de impugnação contra o edital do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O certame, que visa garantir a segurança do suprimento energético do país, está marcado para acontecer nos dias 18 e 20 de maio, mas agora enfrenta questionamentos sérios.

Segundo o INEL, as regras estabelecidas no edital podem resultar em um dano financeiro colossal para os consumidores brasileiros. As estimativas apresentadas pelo instituto apontam para um prejuízo que pode variar de R$ 190 bilhões a impressionantes R$ 510 bilhões ao longo de dez anos. Este alerta foi formalizado na Aneel na última sexta-feira, dia 13.

O leilão LRCAP tem como objetivo principal contratar potência energética para evitar colapsos no sistema nacional, especialmente em momentos de pico de demanda. Serão selecionadas usinas hidrelétricas, termelétricas a gás natural e a carvão mineral para compor essa reserva estratégica. Contudo, o INEL levanta preocupações significativas sobre a forma como esses contratos são propostos.

Valores de Operação e Manutenção Questionados pelo INEL

Um dos pontos centrais da impugnação reside nos valores fixos de operação e manutenção estipulados no edital. O INEL argumenta que esses valores excedem significativamente as referências estabelecidas pelo Plano Decenal de Expansão de Energia 2035. Este plano é o principal instrumento de planejamento energético de médio prazo do governo federal.

Conforme o Plano Decenal, o valor de referência para esses custos é de R$ 190 por kW ao ano. No entanto, o edital do LRCAP apresenta valores superiores, o que, segundo o instituto, inflaria artificialmente os custos para o consumidor final. A diferença pode representar um **impacto financeiro substancial**.

Favoritismo para Fornecedores de Gás Natural?

Outra regra sob escrutínio do INEL diz respeito às usinas termelétricas a gás natural. O edital exige que estas unidades permaneçam conectadas ao Sistema de Transporte de Gás Natural (STGN) durante toda a vigência do contrato, **sem a possibilidade de migrar para fornecedores alternativos**. O instituto vê nessa exigência um favorecimento direto ao gás comercializado pela Petrobras.

Essa obrigatoriedade, de acordo com o INEL, restringe a concorrência e pode perpetuar uma estrutura de custos menos vantajosa para o sistema. A falta de flexibilidade na contratação de gás natural é vista como um ponto **crítico e potencialmente danoso**.

Tribunal de Contas da União Já Havia Iniciado Análise

É importante notar que o Tribunal de Contas da União (TCU) já havia demonstrado interesse no edital. O órgão de controle iniciou uma representação para analisar detalhadamente os termos do certame, incluindo a possibilidade de revisão dos valores propostos. A iniciativa do TCU reforça a relevância das preocupações levantadas pelo INEL e indica uma **vigilância atenta** sobre o processo.

A impugnação do INEL e a análise do TCU colocam em xeque a condução do leilão LRCAP. O desfecho dessas contestações poderá ter implicações diretas na estrutura de custos da energia elétrica no Brasil, afetando o bolso de milhões de consumidores. A Aneel agora tem o desafio de analisar as alegações e decidir sobre a continuidade ou revisão do leilão, buscando o **melhor interesse público**.

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