Estudo de Daron Acemoglu prevê ganhos modestos com IA, enquanto Aghion aponta para um impacto transformador. A inteligência artificial (IA) promete revolucionar diversos setores, mas seu real impacto econômico ainda é objeto de debate entre os maiores economistas do mundo. Dois Prêmios Nobel de Economia, Daron Acemoglu e Philippe Aghion, divergem significativamente em suas projeções sobre como a IA afetará a produtividade do trabalho e a desigualdade de renda nos próximos dez anos.
A análise de Acemoglu, publicada há um ano, sugere que a IA trará **ganhos de produtividade modestos**, elevando a taxa de crescimento anual em apenas 0,11 ponto percentual. Essa projeção considera a rentabilidade e a eficiência de cada tarefa automatizada pela tecnologia. Por outro lado, uma reavaliação feita por Aghion e Simon Bund aponta para um cenário muito mais otimista, com um potencial de aumento de 1,1 ponto percentual ao ano na produtividade.
A divergência reside principalmente na **estimativa da proporção de tarefas que a IA poderá afetar**. Enquanto Acemoglu considera que apenas 4,2% das tarefas são suscetíveis à automação com viabilidade econômica, Aghion e Bund elevam esse número para impressionantes 30%. Essa diferença substancial na abrangência da IA leva a projeções de impacto econômico drasticamente distintas.
Análise Detalhada das Tarefas e Eficiência
A metodologia por trás das projeções envolve a análise de bases de dados abrangentes que detalham as tarefas realizadas em cada ocupação. Para cada tarefa, avalia-se se a adoção da IA seria rentável e qual seria o ganho médio de eficiência. Acemoglu, em seus estudos anteriores sobre automação com robôs e computadores pessoais, já investigava a relação entre tecnologia, produtividade e desigualdade de renda.
O trabalho de Acemoglu, em colaboração com diversos coautores, utiliza dados que descrevem mais de 18,5 mil tarefas em cerca de mil ocupações nos EUA. A avaliação se concentra em quantificar o impacto da IA nas horas trabalhadas e no consequente ganho de produtividade, com a ressalva de que a acumulação de capital também é estimulada pela nova tecnologia.
Ganhos de Eficiência e Comparação Histórica
Aghion e Bund, ao refazerem os cálculos de Acemoglu, não apenas ampliaram o número de tarefas afetadas, mas também consideraram um **ganho de eficiência 50% maior** em cada tarefa impactada pela IA. Essa combinação resulta em uma projeção de impacto total cerca de dez vezes maior do que a de Acemoglu. Os números de Aghion e Bund colocam o impacto da IA em patamares comparáveis ao observado na década de 1995 a 2004, impulsionado pela revolução da tecnologia de informação e computação, que elevou a produtividade em cerca de 0,8 ponto percentual anual.
Apesar das projeções mais conservadoras de Acemoglu, a conclusão geral aponta que a IA tem o potencial de gerar um **impacto significativo no crescimento da produtividade do trabalho**. No entanto, a magnitude desse impacto pode não ser extraordinária quando comparada a outras transformações tecnológicas do passado.
Impacto na Desigualdade de Renda
No que tange à desigualdade de renda, a perspectiva de Acemoglu é mais tranquilizadora. Ele avalia que a IA **não deverá replicar os efeitos negativos observados entre 1980 e 2020** com a robotização e a automação generalizada nas linhas de montagem. A IA, segundo sua análise, tende a melhorar a eficiência tanto de trabalhadores menos qualificados quanto dos mais qualificados, promovendo uma distribuição mais equitativa dos ganhos de produtividade.
Essa visão contrasta com preocupações de que novas tecnologias possam concentrar riqueza e acentuar disparidades. A análise de Acemoglu sugere que a IA pode ter um papel diferente, atuando como uma ferramenta de **aprimoramento geral**, em vez de substituição em larga escala que prejudique determinados grupos de trabalhadores. A discussão continua em aberto, com novas pesquisas sendo aguardadas para refinar essas projeções.