Executivos das maiores empresas de energia dos Estados Unidos pediram, em reuniões recentes, garantias robustas do governo americano antes de aceitar grandes investimentos na Venezuela.
O pedido ocorre enquanto o presidente Donald Trump pressiona o setor a apoiar sua estratégia de reconfigurar o comércio global de energia, e anuncia maior controle sobre o petróleo venezuelano.
As conversas com líderes do setor aconteceram em Miami e na Casa Branca, e os executivos disseram que só avançariam com investimentos se tivessem proteção legal e financeira adequada, conforme informação divulgada pelo Financial Times.
Por que as petroleiras exigem garantias
Executivos explicaram que investir na Venezuela envolve riscos elevados, incluindo insegurança jurídica, possibilidade de confisco de ativos e mudanças abruptas de política externa.
Amos Hochstein, sócio da gestora TWG Global e ex-assessor do ex-presidente Joe Biden, afirmou que investir na Venezuela envolve riscos legais, financeiros e políticos elevados, e que as empresas precisam saber se estarão protegidas além do mandato de Trump.
Hochstein perguntou, textualmente, “As empresas americanas precisam saber quem são seus interlocutores. Estão assinando contratos com o governo venezuelano? Esse governo é legítimo?”, e destacou que retornos demorados criam ainda mais incerteza.
Outro executivo resumiu a preocupação prática, afirmando que os projetos exigiriam garantias formais do governo para reduzir o risco, especialmente porque, segundo críticos, decisões podem mudar com um tuíte.
O que o governo Trump tem oferecido
Na tentativa de atrair capital, a Casa Branca disse que assumiria controle do petróleo venezuelano “por tempo indeterminado”, e Trump afirmou que petroleiras americanas poderiam ser “reembolsadas pelo governo ou por meio das receitas” caso investissem no país.
Autoridades americanas se reuniram com executivos em Miami, e o secretário de Energia, Chris Wright, reforçou a mensagem de que as grandes empresas deveriam investir bilhões na indústria venezuelana, sinalizando também uma possível flexibilização de sanções.
Mesmo assim, Wright reconheceu que as empresas não iriam “investir bilhões construindo nova infraestrutura na Venezuela na próxima semana”, segundo relatos da reunião, o que mostra o fosso entre intenção política e realidade operacional.
Riscos, condições e obstáculos para investimentos na Venezuela
Além do risco político, empresas citam preços baixos do petróleo e a necessidade de investir sem retorno imediato, o que torna os investimentos na Venezuela ainda menos atraentes sem garantias fortes.
Neil McMahon, cofundador da gestora Kimmeridge, disse que “Há muita preocupação com o arcabouço legal desses novos contratos, especialmente porque elas já foram prejudicadas muitas vezes no passado.”, o que ilustra a desconfiança do setor sobre proteções oferecidas.
Um investidor de private equity afirmou que sua empresa está “pronta para começar a analisar oportunidades”, mas alertou que a Venezuela é “o máximo em risco”, e resumiu, “Esse governo basicamente vai ter de garantir tudo”, e destacou que, “Sem algo desse tipo, nenhum investidor ou empresa de capital aberto pode aplicar recursos em um país que não tem segurança jurídica e confisca ativos.”
A Chevron, que atualmente é a única petroleira americana licenciada para exportar petróleo venezuelano, busca alterar seu acordo com o Departamento do Tesouro para vender volumes maiores do produto, mas manteve tom cauteloso em reuniões com investidores, sem indicar planos de expansão imediata.
Executivos da Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips estão entre os esperados para uma reunião com Trump na Casa Branca, em que a administração pretende ajustar sanções e oferecer suporte técnico e regulatório, se houver consenso sobre garantias.
Além das negociações econômicas, o contexto inclui ações de segurança e geopolítica, como ordens presidenciais recentes citadas em reuniões, que indicam o uso de força para proteger interesses americanos, e que ampliam a percepção de risco entre investidores.
Em suma, o avanço de investimentos na Venezuela depende de soluções claras para riscos legais e financeiros, e do estabelecimento de mecanismos de proteção que convençam empresas a aplicar capital em um ambiente marcado por incertezas.